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caramba, uma caçamba: horta vertical

estar concreto

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caçamba

Levamos nossos dias no apê e projetos profissionais com uma espécie de código de conduta meio que subentendido: reutilizar para reduzir o impacto, criar para impactar. Quem acompanha nosso blog desde o início sabe de todos os nossos esforços neste sentido. Dentro de nossas empresas, estamos sempre buscando inovar para criar projetos inéditos. Já dentro de nossa casa, a busca pela reutilização de materiais é constante. Parecem ser dois conceitos divergentes mas eles são, fundamentalmente, a mesma coisa. Ambos primam por um pensamento ativo diante de nossas escolhas, e buscam deixar marcas positivas ao nosso entorno.

reutilizar para reduzir o impacto

Isto nos serve muito bem, principalmente neste momento de nossas vidas. Como empreendedores iniciantes, temos uma verba reduzida para montar o nosso apê. Quando encontramos objetos descartados pela rua e, com o mínimo esforço, conseguimos atribuir-lhe uma nova utilidade e ao mesmo tempo decorar nossa casa, fazemos desta situação um ganha-ganha para todos. No fim das contas, este pensamento pode, e deveria, ser aplicado por todas as classes sociais, independente de status ou salário no fim do mês. Nossas sociedades aprenderam a evoluir a curto-prazo em grupos não-nômades, mas já ignoraramos por tempo em demasia a sustentação real de nosso estilo de vida nesse planeta, a longo-prazo.

Há um tempo atrás, encontrei uma escada de construção dentro de uma caçamba. Aquele objeto, construído com materiais robustos para aguentar o tranco do trabalho dos pedreiros, mas sem qualquer tipo de projeto de produto, fora claramente criado as pressas para servir um intuito por um certo período de tempo, e depois ser descartado. Estamos falando de um ambiente temporário de obras, onde tal pensamento parece até fazer sentido. Contudo, não é difícil traçar um paralelo com os produtos que usamos todos os dias, que foram criados para durar pouco dentro de suas obsolescências programadas. Carros, celulares, móveis. Todos feitos com materiais complexos, mas fadados a serem descartados em menos de dez anos. É nossa obrigação, como inquilinos deste planeta, encontrar novos usos para estes materiais, e podemos começar com os mais simples, como a madeira da citada escada de construção.

criar para impactar

Peguei a escada, que estava junto com o carretel, e guardei em casa. Quando decidimos o seu destino, tratamos a madeira, e compramos os poucos materiais extras necessários para criar um produto útil, bonito e diferente aqui no apê. Juntamos as orquídeas que ganhamos de amigos, algumas mudas da horta e algumas trepadeiras, e fizemos da escada de construção uma horta vertical. Hoje, a peça está entre a nossa sala de estar e o quarto, compondo um cantinho verde que temos aqui. Noutro dia, durante a sessão de fotos do nosso apê para uma matéria de uma revista bacana ( mais disso, em breve : ), a produtora pirou na escada, e disse que quer fazer dela um produto decorativo num evento de design que será realizado em breve em SP ( mais disto em breve, também ; ).

Qualquer indivíduo é capaz de aplicar estas premissas ao seu dia a dia. A escada descartada que virou objeto útil de decoração com potencial de virar item cobiçado numa feira de design é só um exemplo. Logo, reutilizar para reduzir o impacto e criar para impactar deixa de ser um paradoxo, e torna-se uma atitude mental consciente, plausível de implementação por qualquer um de nós.

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escada e carretel na caçamba

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levando para casa

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limpeza

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adaptando o material

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ajustes ( a placa foi achada na rua também ; )

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vasos para escada

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perspectiva

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do quarto pra sala

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carretel virou aparador

estar concreto

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dentro da caçamba da vez

Muita gente me pergunta o porquê de eu pegar tanto “lixo” nas caçambas alheias. Pois bem, ao invés de argumentar um ideal óbvio de reciclagem / sustentabilidade / impactonomundo, vou começar a mostrar os resultados para que vejam com os próprios olhos o porquê, o pra quê e, para quem decidir se aventurar pelo mesmo caminho: o como.

Desde que era um gurizinho, junto sucatas sob minha cama para construir outros objetos. Pote de requeijão, carretel de linha de nylon, caixa de sapato e por aí vai – quem nunca? Bastava um rolo de papel toalha terminado conectado a um carretel de costura pontudo, dois pedaços de papelão para as asas e um pouco de durex pra fazer um avião a jato pau a pau com os da força aerea americana. Acontece que por algum desvio irreparável em minha educação, eu não parei de fazê-lo: cursei desenho industrial e dentro de uma oficina, dei asas mais parrudas à minha imaginação para a execução de inúmeros projetos. Agora, o projeto é o nosso apê.

Não tem jeito, para ter boas ideias, você precisa mergulhar de cabeça em qualquer que seja o projeto – é assim com tudo na vida. Logo que decidimos mudar juntos, deu um estalo na minha cabeça e lá estava eu juntando material para construir móveis e outras utilidades para nosso futuro apartamento - só que agora já não cabiam de baixo de minha cama.

Logo neste começo, encontrei um carretel daqueles de fios de energia em uma caçamba próxima a uma construção e não pensei duas vezes: joguei tudo pra dentro do vermelinho pau-pra-toda-obra e levei pra casa. Kalina ainda estava na Europa e o nosso apê ainda era um sonho distante – e eu não tinha ideia do que aquilo viraria, mas tinha certeza que para algo serviria. Alguém se identifica com esse sentimento? Costuma preceder até casamentos.

Kalina voltou, o apê virou realidade e, depois de tratarmos a madeira, o carretel se transformou, por enquanto, num ótimo aparador de cozinha. Ele está sendo essencial para dar um ar de lar para nosso cantinho. Veja aí todo o processo.

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puta que o pariu pisa no freio zé!

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coube tudo no vermelinho - carretel no porta-malas e escada no rack.

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lavagem pré tratamento

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carretel sendo utilizado aqui em casa

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se não fosse ele, nossas frutas estariam no chão

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carretel aparador de cozinha

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carretel aparador

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detalhe do primeiro andar

ilustrações por kaju.ink
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