A nossa evolução como espécie anda de mãos dadas à quebra de paradigmas, mas sair do senso comum quase sempre gera grandes controvérsias. Atualmente, o assunto mais falado nas rodas de mulheres e de homens é um aplicativo de uso exclusivo do universo feminino, usado basicamente para atribuir notas qualificativas a exemplares do sexo masculino. Ontem nós baixamos o app para testá-lo. Kalina achou o Lulu “nojento”: por ser vazio, sem escrúpulos e carente de conteúdo construtivo e por estes fatores, não entendeu muito a minha diversão ao ler minhas próprias avaliações no celular dela. Essa história, contudo, vai muito além do entretenimento barato - considero o app uma empreitada visionária e digna de atenção por nós, meras engrenagens do sistema evolutivo humano.

Tudo que brilha e é adorado hoje, tem boas chances de ter sido fedorento e odiado no passado. Quando Steve Wozniack criou uma máquina que era capaz de burlar as tarifas telefônicas e Jobs viu potencial de venda no mercado negro para o pequeno aparelho, surgiu o embrião da reverenciada multinacional Apple. Quando Marck Zuckerberg viu diante de seus olhos o alcance de um aplicativozinho que ele criou que objetificava meninas de sua faculdade ao compará-las lado a lado, percebeu o potencial social da internet e criou o Facebook, rede social mais utilizada em todo o mundo. Não é preciso ir longe para entender que se algo é novo, causa reboliço e tem grande aderência popular, há grandes chances de, por mais sujo e antiético que seja aquilo naquele momento, se tornar parte essencial de nossas vidas num futuro próximo.

O termo “nojento” cabe bem ao Lulu: ele fede e cheira – é equiparável ao noticiário de crimes horrendos do Jornal Nacional de todas as noites. O aplicativo foi criado por Alexandra Chong, uma advogada com diploma britânico, e lançado nos EUA em fevereiro desse ano – em abril, 200 mil homens já haviam sido avaliados; em novembro, uma matéria do The New Tork Times trouxe atenção mundial à empresa que dizia já possuir mais de um milhão de usuários e mais de 25 milhões de doláres de investidores. Em miúdos, a rede potencializa a conversa cotidianda da mulherada sobre homens e atribui um caráter público às opiniões alheias sobre características, modos e performance de um ex-namorado, ficante ou pretendente – claro que muitos homens estão com comichão por causa disso. Ter o seu perfil escancarado para o púbico com base numa opinião individual é uma forma tendenciosa de representar alguém. Contudo, pelo mesmo motivo que as pessoas não deixam de sair às ruas por causa da mídia sensacionalista, também não utilizarão as opiniões do Lulu para decidir o seu futuro amoroso, certo?

Chong, CEO e fundadora do aplicativo, enxerga o sistema como uma boa maneira de ajudar as mulheres a escolher bons partidos, bem como incentivar os homens a se portarem de forma mais respeitosa com suas parceiras: ela acredita cegamente que o Lulu tem o poder pra mudar a vida das pessoas de forma positiva. Para quem não sabe, este é exatamente o ramo e ideologia da AEROGAMI, minha empresa de serviços: criação de produtos na web que visam melhorar a vida cotidiana. Há muitos meses estamos trabalhando numa ferramenta de feedback empresarial enquanto cultivo um ideal (conhecido por poucos, até agora) de criar uma plataforma de feedback pessoal. Eu acredito que relacionamentos mais transparentes trariam benefícios ainda imensuráveis para um indivíduo. Talvez seja por isso que eu tenha gostado tanto de ler as minhas #hashtags taxativas e sem escrúpulos no Lulu.