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não contentem-se

pensar acordado

Regular n o contentem se

não contentem-se

Meninas, não contentem-se.

Eu estou cansado de vê-las sofrendo nas mãos de caras errados. E eu, como homem, decidi que era hora de falar. Sempre pensei, desde garoto, que queria ser o melhor que eu pudesse para ser uma boa companhia para seja lá quem fosse a mulher ao meu lado. E eu continuo tentando, todos os dias, ser o melhor que posso ao lado da Kalina. Eu fico enfurecido ao ver meninos que se dizem homens, brincando com os sentimentos de gente grande. Para cada mulher bacana existem dez caras sacanas. Mas acreditem, ainda tenho amigos homens que se preocupam. Poucos, mas existem. Por isso, não contentem-se. Afinal, do que vale uma companhia se ela não lhe serve como de fato, uma companhia? Não contentem-se em andar com apenas um boneco ao seu lado. Não contentem-se em ter alguém que não consegue olhar nos seus olhos e dizer o que sente, verdadeiramente. Não contentem-se com alguém que não tem coragem de lhe puxar para uma dança, em uma festa, ou mesmo na sala de estar. Não contentem-se com aqueles que chegam do trabalho cansados demais para qualquer outra coisa. Você vale bem mais do que um pagamento no final do mês. Não contentem-se com o sujeito que prefere sentar no sofá, tomar uma cerveja e assistir futebol, do que sair para um passeio no parque. Não contentem-se em cozinhar para quem não tem ao menos a decência de pôr a mesa e perguntar como foi o seu dia. O papel do homem num relacionamento, é exatamente o mesmo que o seu papel. Não contentem-se com o desequílibrio. Não contentem-se com uma conversa superficial, sem sentimentos. Até mesmo um cachorro é capaz de mostrar o que sente. Não contentem-se com sequer o menor vestígio ou sinal de superioridade. Nós não fazemos absolutamente nada melhor que vocês - só de formas diferentes. Não contentem-se com aquela história mal contada. Em um relacionamento, não há maior virtude que a transparência. Não, não contentem-se. Vocês já não são, afinal, apenas meninas. Vocês são mulheres, e tem o mundo todo nas suas mãos. Não contentem-se.

quem posta o que?

pensar acordado

Regular sam 2973

a organização diária do apê

Constantemente ouvimos a pergunta: Quem posta as fotos no Instagram? E quem escreve no blog? Como sabem o Marcos e eu, além de administrar e criar conteúdo para o blog, temos as nossas próprias empresas, ele a Aerogami, e eu o studio kaju.ink. Portanto, diariamente dividimos as horas entre elas, os afazeres de casa e o comTijolo. Ah! E claro que no meio disso tudo temos um tempinho para nós também.

Não temos muitas regras do que postar em que horário. E também não somos supersticiosos. Por experiência e estudo sabemos os horários que tem maior audiência no público, mas as coisas correm mais orgânicas.

No ano passado me carreguei de projetos e trabalhos para conseguirmos nos ajustar à vida a dois aqui no apê. Por isso acabei passando muito tempo na rua e o Marcos, com a agenda mais flexível, acabava se dedicando mais ao comTijolo. Este ano as coisas se inverteram um pouco, pois a Aerogami tem agora sua base no co-working chamado Osmose. Ele sai cedo e volta no começo da noite e eu estou tentando trabalhar mais do studio. A administração do tempo fica mais flexível em minhas mãos e busco criar mais conteúdo para o blog. A nossa comunicação, mesmo sendo à distância agora nos permite dar ideias e sugestões o tempo todo.

Mesmo com estas pequenas mudanças no cotidiano temos as tarefas de casa bem divididas e seguimos com o que naturalmente aconteceu ao longo do ano passado. O Marcos começou a cozinhar e registrar isto. Sucos, sopas e pães estão virando suas especialidades. Eu virei cobaia com um grande sorriso no rosto e não coloco a minha mão nestes assuntos. As plantas também são o seu departamento. Quando morava com os pais nunca cuidava das plantas que tinham por lá, a não ser a Leia, uma árvore que ele comprou há uns três anos atrás e que vivia em sua varanda. Logo que mudamos era claro que teríamos uma horta, que logo foi se multiplicando e tomando conta de todos os cômodos da casa. Ele revelou ter um dedo verde. É curioso sobre o assunto e por isso pesquisa intensamente as espécies, seus cuidados e as pragas que podem aparecer. As poucas vezes que tentei cuidar das plantas o resultado não foi muito positivo. Tive a proeza de deixar um cactus morrer de sede e afogar uma orquídea. (ops!) Toda a produção de móveis, famoso #carambaumacaçamba , também sai das mãos do Marcos. Por ele ter estudado desenho industrial, com foco em produto, ele tem uma facilidade com maquinários e claro, é mais forte do que eu. As minhas áreas são outras, as refeições do cotidiano, os cuidados com as roupas e tudo que está ligado a fazer um pouco de arte, seja pintando uma parede, um objeto, um diy de menor escala ou arrumando os detalhes de decoração na casa. Sim, sou detalhista pela leveza, claridade e para deixar tudo em seu devido lugar. Gosto das coisas arrumadas, limpas e organizadas, e, embora o Marcos seja ótimo com isso também, ele brinca que o dia que ele estiver sentado no lugar errado, eu jogo ele fora. Também não é assim… (mas quase!)

Temos uma divisão natural de interesses e afazeres, mas isto não impede que um fale do, ou pelo outro. Muitas vezes, dependendo da disponibilidade de cada um, nos passamos um pelo o outro também (ops!). Mas claro, se prestarem bem atenção, como disse a nossa amiga Lilla, é muito fácil identificar quem posta o que. O Marcos tem um tom mais formal, mais poeta, mais romântico, e eu, por outro lado, ainda aprendendo a escrever, tenho uma linguagem mais simples e direta. Mas no final das contas, não importa muito não é? Um aqui ou o outro ali, somos duas pessoas vivendo juntas, com cotidianos que se cruzam e interesses e personalidades que se complementam.

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a horta e a terapia do marcos

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diy de pequenos itens que vão compondo o apê

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padaria comtijolo quase todos os sábados

ele abaixa a tampa

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eu e você. você e eu. "casados"

Em todos os encontros de amigos e família, desde que nos mudamos juntos para o apê, constantemente ouvimos perguntas do tipo: Como vai a vida de “casados”? Já se irritaram com as manias um do outro? Quando vão casar? Seguindo o conselho de uma amiga, a primeira resposta que damos é: Já estamos casados (fazendo o movimento de telhado de casa com as duas mãos sobre a cabeça)! A segunda é: até que não nos irritamos tanto assim com manias. Os dois tem manias de organização e limpeza, o que deixa o apartamento (na maioria das vezes) arrumado. As pessoas logo mudam de assunto.

Com amigos que compartilham do mesmo pensamento frequentemente discutimos tais temas. Existe uma questão tradicionalista que ainda reina na nossa cultura. Para duas pessoas estarem juntas elas devem se casar, na igreja, no cartório e toda aquela festa bombástica para um grupo enorme de pessoas com doces de todos os tipos e para todos os gostos. Nada contra isto claro! (Aliás nos divertimos sempre nestas ocasiões inesquecíveis e apreciamos a boa companhia, comida e música.) Apenas pensamos um pouco diferente. O casar e o se irritar com manias não é tão necessário. Para nós, o fato de estarmos juntos, sob o mesmo teto, compartilhando tudo é válido da mesma forma. A decisão de morar juntos veio acompanhada de conversas sobre o “querer estar juntos”, o “compartilhar” momentos , se ajudar, se entender e claro, as divisões financeiras. O “para sempre”, ao nosso ver, está muito longe e preferimos não planejar tanto o futuro.

Cada casal tem as suas dificuldades, brincadeiras e acordos. Assim como qualquer união, a nossa também não é livre de pequenas manias e conversas mais sérias. Há algum tempo estivemos em um jantar de aniversário, e um amigo nos perguntou, depois da clássica pergunta de casamento: Kalina, você não fica brava quando o Marcos deixa a tampa da privada levantada? E Marcos, não te irrita o fato de a Kalina soltar cabelo pela casa toda? Nós dois rimos e respondemos quase que simultaneamente; Eu: O Marcos não deixa a tampa levantada. Ele: Acho que solto mais cabelo que a Kalina. O amigo ficou um pouco sem jeito e falou: Apenas acho que todos os casais tem manias e coisas que irritam um ao outro. Rimos novamente: Acho que não temos tanta coisa assim… Ele ainda buscou alguns exemplos que rimos ao não se aplicarem a nós e logo mudamos de assunto.

Logo após a mudança tivemos mais conversas para nos acertarmos às rotinas um do outro. Aos poucos os dois foram se encontrando e se ajustando ao realmente dividir o espaço. As tarefas foram se dividindo quase que automaticamente. Quando um cozinha o outro lava a louça. O Marcos cuida das plantas e da horta. Eu lavo as roupas e dobro quando secas. Limpamos o apê juntos. O Marcos a cozinha e eu o banheiro. Quando um está passando por uma semana puxada no trabalho, o outro tenta aliviar ao assumir mais responsabilidades. O mercado é sempre em conjunto, mas quase que naturalmente cada um vai se dirigindo para uma ala e ficando responsável por certos mantimentos. Ambos tem as suas próprias empresas, ambos precisam trabalhar cargas de horas maiores do que o normal, portanto fizemos um acordo, mesmo que não verbal, que ambos dedicarão tempo ao apê, seja através da divisão de tarefas, seja no companheirismo de fazer uma ida ao mercado ser algo divertido em uma manhã de quarta-feira. Na maioria das vezes as coisas se ajeitam e fluem naturalmente.

Não somos perfeitos e o nosso relacionamento também não é. (Que bom! Imaginem o quão entediante seria.) Existem desentendimentos, vontades de momentos a sós, conversas sobre o fazer ou deixar de fazer, sobre atitudes, atrasos sem iguais, acusações, cobranças, comentários atravessados e a tpm – sim, às vezes ela também fica entre nós. Também não somos perfeitos um para o outro. Somos bem diferentes nos mais variados níveis, mas acho que, ao final do dia, dê alguma forma, estamos a caminho de construir algo especial dentro de uma rotina equilibrada. E a cada final de dia, ao olhar para ele compenetrado com seus projetos – mesmo que estes tirem o meu sono de vez em quando, quando ele se deita pelas horas da madrugada – sorrio. Hoje, neste momento, estou feliz, e nada mais importa.

in dependência

pensar acordado

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família reunida

Nós dependemos uns dos outros de maneiras e níveis diferentes. O ser humano, por aspectos evolutivos que agiram sobre a anatomia da espécie, é um dos animais mais dependentes de seus pais após o nascimento. Ao passo dos anos, ao se tornarem mais independentes em relação a locomoção, comunicação, alimentação e sobrevivência de modo geral, se tornam também mais dependentes em quesitos emocionais. Nossos relacionamentos com família, parceiros, amigos e colegas, são marcados por aspectos que definem o nosso ser, dia após dia, ao ponto que, existir apenas por existir, sem o adendo destes vínculos emocionais, se torna uma mera missão de sobrevivência, em detrimento de uma vida plena.

A curva evolutiva da seleção natural deu a cada animal capacidades diferentes de sobrevivência. Algumas espécies de tartarugas, por exemplo, nascem e correm pra se aventurar no mar, pra longe de sua mães, para nunca mais vê-las. As orcas, por outro lado, animais de inteligência emocional superior a humana, levam vidas centenárias ao lado de todos os membros de sua família, a ponto de cada núcleo familiar ter seu próprio dialeto. Na mesma linha, nós humanos somos seres dependentes. À medida em que a nossa espécie se tornou ereta em meio a milhares de anos de evolução, os recém-nascidos se tornaram cada vez mais subdesenvolvidos, devido a redução de espaço para o amadurecimento dentro do útero. Alguns cientistas e historiadores apontam que a cultura humana familiar pode ter surgido devido a esta dependência dos filhos para com os pais nos primeiros anos de vida após o nascimento. Com isso, o ser humano nasce fisiologicamente dependente e morre emocionalmente dependente de seus semelhantes.

Quando eu era garoto, tinha um ímpeto de independência exagerado. Nunca fui de exprimir meus sentimentos para ninguém, e só falava quando, segundo minha avó, tinha uma estilingada certeira para soltar, após horas de observação contemplativa. Meu pai conta que, no meu primeiro dia do maternal, momento doloroso e de choro exarcebado para a maioria das crianças, eu, seguindo o exemplo das tartarugas, corri para me aventurar na sala, e sequer olhei para trás. Quando eu tinha uns 7 anos de idade, me perdi de minha mãe numa unidade do colégio, e foram me encontrar horas depois, um quarteirão acima, dentro da sala de aula, na outra unidade do colégio, um pouco triste apenas porque estava sem a lancheira com minha merenda. Esta vontade de explorar o mundo por conta própria continua, mas aprendi, anos mais tarde, que eu precisava me abrir emocionalmente para viver as melhores experiências de vida.

É preciso emancipar-se emocionalmente para perceber que, não há problema nenhum em depender do próximo. Em 2005, vivi um ano intenso na Nova Zelândia e tenho esse momento como um marco de minha própria evolução. Ali eu aprendi às pressas, que precisava me abrir e me relacionar com desconhecidos, para tirar proveito de uma oportunidade de ter experiências inesquecíveis. Assim foi e, de lá pra cá, criei e cultivei inúmeros relacionamentos, afetivos, coloridos, profissionais e de todos os tipos, profundos ou não. São estes todos, junto com meus laços familiares, que me definem hoje, estando eles ativos ou dormentes.

Meus quase cinco anos com a Kalina são, da mesma forma, mais um esforço neste sentido. Apesar de tentarmos dividir todas as nossas funções e obrigações igualitariamente, dentro do apê, com nossas empresas, e nas experiências de nosso relacionamento , dependemos um do outro de formas e níveis diferentes. Às vezes um precisa de uma consultoria técnica, às vezes outro de apoio emocional, e às vezes um precisa de uma ajudinha financeira. Seja qual foi a maneira ou nível que você depende de alguém, no fim das contas, são estes momentos que te permitem viver uma vida feliz, e que lembramos anos depois com carinho e nostalgia.

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Serendipidade

explorar sem parar

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uma surpresa dos amies da paperia

Quantos amigos você tem no Facebook? Quantos destes são verdadeiros, quantos são colegas ou apenas somam um número à sua popularidade? Quando éramos mais novos sempre ouvíamos e prometíamos: “Você é minha melhor amiga para sempre!”. Quantas destas “para sempre” ainda permanecem ao seu lado hoje? Se for como a maioria, talvez metade delas tenha se afastado, dando lugar a novas e novos amigos. Fato normal que ocorre por escolhas, gostos que evoluem (ou não), amadurecimento, namorados ciumentos, estudos, viagens, mudanças, brigas, quebras de confiança ou simplesmente momentos diferentes. Todos já passamos por isso e o fato se repete a cada temporada. Num destes dias uma amiga comentou sobre um fato que leu em algum lugar e achamos interessante - uma amizade é verdadeira e “para sempre” quando ultrapassa sete anos. Paramos, contamos e lembramos de todos aqueles que fazem parte deste número. Não é preciso trocar elogios e manifestações de carinho constantes: mesmo que não exista um contato diário, quando juntos, compartilham aquela sensação de que se viram no dia anterior. Admiração, cumplicidade, sintonia, amor, respeito e bem estar.

Na Universidade de Harvard, em aproximadamente 1937, iniciou-se um estudo sobre a saúde humana. Após muitos questionários e análises, concluiu-se que os amigos são o principal indicador de bem-estar na vida de alguém. Ter laços fortes de amizade aumenta a nossa vida em até 10 anos e previne uma séria de doenças. Além de ser fundamental para o “estar” mental, ter amigos faz bem para o coração e para o corpo. O estudo diz que amizades novas são ainda melhores, por liberarem uma substância que ativa a vontade de se relacionar e capacidade de socializar com outros, o quê, consequentemente, traz felicidade ao nosso dia a dia.

Marcos e eu, por sermos donos das nossas empresas e curiosos pela vida, sempre buscamos conhecer novas pessoas em novos ambientes, em outros círculos de amigos e de formas inusitadas - e foi justamente isso que aconteceu recentemente com um casal, donos da Paperia. Um dia, em minhas pesquisas e divagações online em busca de páginas interessantes, me deparei com a Fan Page da Paperia no Facebook. Mesmo com apenas um amigo em comum, fui atrás, li mais e pesquisei a respeito. Me deparei com o site, produtos e até na página do Pinterest da empresa dei uma conferida. Me encantei e pensei – algo que não faria há alguns anos atrás, provavelmente por timidez – “vou enviar um email, apresentar o meu trabalho e sugerir uma parceria.” A partir deste dia, a parceria de fato começou a surgir, mas muito mais do que isso, uma amizade veio como agradável surpresa.

Após algumas trocas de e-mails e tentativas de marcar reuniões que falharam por motivos diversos, trocamos números, a Marcela – criadora da empresa- e eu, e iniciamos uma conversa por WhatsApp. Conversa vai e conversa vem e descobrimos inúmeras semelhanças, entre elas aspirações, vontades, personalidades e por fim, as caras metades que trabalham em áreas similares. A princípio parecia até surreal a cada descoberta. No mesmo dia que Marcos eu encontramos o nosso apê, tive um dos papos mais longos (ainda pelo celular) com a Marcela e, descobri que eles também estavam em busca de um novo lar. Apresentei o conceito MaxHaus e contei um pouco da nossa procura. Em meio a tudo isso um encontro ao vivo aconteceu, a princípio para conversar sobre negócios, mas que logo virou uma conversa de horas, sobre os mais variados assuntos, de duas pessoas que pareciam se conhecer a anos. Em menos de uma semana, uma pessoa querida, que virou nossa vizinha no mesmo dia de nossa mudança, é hoje minha companheira de exercícios diários em nossa piscina vermelha - e ai paramos para pensar: como se chama isto? Um encontro inusitado? Serendipidade? Destino? Ou apenas um toque de felicidade em nossa nova fase?

Por coincidência, ou não, o slogan da Paperia, do casal Marcela e Ítalo, diz: Imprima Felicidade. No nosso caso, não apenas trouxeram mais um sorriso em nossas vidas, mas também nos surpreenderam com um produto, feito com muito carinho, agradecendo a ajuda em encontrar um novo cantinho. Mais um amigo na lista do Facebook ou um amigo “para sempre”? Talvez descobriremos daqui há anos, mas nada disto importa, afinal aquele estudo iniciado há anos atrás na Universidade Harvard tinha razão; novos amigos são sinônimo de bem estar para o corpo e para a alma. Obrigada amies pelo carinho e pelos sorrisos!

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manifesto da felicidade paperia

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os nossos cartões de mudança

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faltou a foto dos amies comtijolo e paperia. em breve.

e aí, mudou?

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cotidiano

Fui jogar bola com uns amigos essa semana e, na volta, o Rodrigo me perguntou:

  • E aí, você se mudou, o apê tá mudando e ficando bacana, mas e o seu relacionamento com a Kalina, mudou?

A pergunta me pegou desprevinido, como ele bem pode confirmar. Fiquei um tempo a pensar…

  • Não.

Afirmei com certeza momentânea, após segundos de uma enxurrada de lembranças das útlimas semanas.

Já faz quase 1 mês. Vinte e tantos dias que saímos do ninho de conforto da casa de nossos pais para nos aventurarmos no desconhecido, encontrar nosso caminho e construir um lar. Cá estamos e, agora, escrevo-lhes da nossa nova mesa de trabalho, que ainda não está pronta mas já dá pra usar. Falta colar alguns acabamentos, assim como o resto do apê, mas, sentado aqui, vejo os detalhes do nosso cantinho em construção, a nossa cidade ao fundo pelas janelas, Kalina trabalhando ao meu lado desenhando mais alguma de suas incríveis ilustrações e bufando também por algum motivo desconhecido – nada de anormal, mas linda, como sempre.

  • Só melhorou.

Dei uma resposta espontânea que, pela cara de curioso do cara que vestia uma camisa suada do Boca Juniors ao meu lado, carecia explicação.

As últimas semanas foram intensas. Kalina e eu tentando nos equlibrar entre mudança de área e de ares, entre projetos e trabalho, entre mini-open-houses para os amigos e para os familiares, entre furar e limpar, entre comprar e cozinhar, entre amor e sexo – tudo junto e misturado. Uma delícia e, por isso mesmo, creio, nosso relacionamento ficou mais forte e só melhorou. Brigas, é claro: coisas bobas, convivência, manias (schatzie, olha essa esponja encharcada!), esquecimentos (schatz, você deixou a panela no fogo! ), mas de um modo geral, estamos dando um jeito e fazendo quase tudo de mãos dadas. Mercado, cozinha, mesa, sala, quarto, piscina, chuveiro, cama: tudo juntos mas, nem tudo – o que nos leva ao início deste post.

Não importa o quão bem um casal se dá, não interessa se combinam e descombinam na mais perfeita harmonia: todos precisam de um tempo para si – nós não somos diferentes e valorizamos muito o tempo só, ou com os próprios amigos. Ontem eu fui jogar futebol com Rodrigo, Mohamad (meu sócio) e mais um bando de marmanjo e Kalina foi jantar com os pais. Outro dia decidi ficar em casa trabalhando enquanto ela foi visitar nossos vizinhos e amigos (longa história, para outro dia). Em um outro, eu fui correr e ela nadar. Pensando bem, essa separação também é uma forma de nos equilibrarmos, certo?

Muita coisa mudou, claro, mas o relacionamento - concluo com um sorriso de criança com sorvete, só melhorou.

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cotidiano, verdadeiro. : P

a distância entre nós

pensar acordado

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ele e ela em algum lugar distante.

Compartilhar encontros com amigos e família, viagens, risadas, situações delicadas e difíceis, cursos ou apenas um jantar a dois são os momentos que enriquecem a vida de casais. Uma vida a dois se alimenta de companheirismo, amizade e o vínculo entre as duas pessoas. Este apoio e energia dão confiança para o casal e para cada parte enfrentar e superar desafios da vida. Pelo menos é o que dizem. Ótimo. E o que acontece quando um casal se separa pela distância? Entre cidades, entre países ou oceanos. Já contamos um pouco sobre como nos conhecemos, como lidamos com situações do cotidiano e em que o nosso relacionamento se baseia. E vocês podem pensar “Ótimo de novo Kalina!” “E como foi quando você não estava aqui?”

Vou ser bem sincera desde o início, não é fácil, mas hoje posso dizer que foi mais fácil do que eu achava, embora não esperasse muita coisa. Acho que isso facilitou tudo ainda mais. Do começo: Os dois, Marcos e eu, lidamos com isto de forma natural. Quando decidi passar um tempo fora do Brasil ele me apoiou muito (primeiro ponto ai: por que não apoiar a outra parte em suas vontades e sonhos?). Todo mundo perguntava: “Ah, mas e o Marcos? Vai deixar ele aqui? Ele deixou você ir?”. Primeiro, ninguém tem que deixar nada, vocês tem e sempre tiveram vontades próprias, desejos, sonhos e vidas individuais, antes e depois de conhecer uma pessoa. Segundo, se o relacionamento não for estável, ou não for para durar, ele vai terminar com as duas partes juntas ou separadas. Terceiro, ao privar pessoas de seguirem aquilo que querem ou ter experiências novas na vida, você é cumplice na frustração que pode vir mais tarde. Não estou dizendo que para nós foi tudo fácil e simples e que simplesmente fui e voltei e tudo continuou da mesma forma.

Sim, o Marcos me apoiou, eu fiz as malas, e embarquei para a Suíça. O primeiro mês foi o período mais difícil. Um lugar novo para mim, para o Marcos o mesmo lugar, mas sem a minha companhia quase diária; sentimentos e sensações novos. E aquela dúvida, relacionamento aberto? E se eu conhecesse alguém incrível por lá? Ou ele por aqui? Sim, conversamos sobre isso, e sobre outros assuntos pelo Skype e Whats app. No início algo mais constante, o que criou algumas discussões e desentendimentos, até que percebemos que o quanto menos nos falávamos, mais rápido o tempo passava e a saudade não apertava tanto. As sessões de Skype foram diminuindo e as conversas no Whatsapp se resumiam a emoticons de bom dia, boa noite e algumas histórias, troca de experiências e fatos acontecendo durante os dias. E claro algumas cutucadas aqui e ali também aconteciam. Necessárias às vezes, e em outras desnecessárias. Natural não? Surgem questionamentos, inseguranças e desconfianças. Nada de mal, nada de novo, apenas parte de um relacionamento à distância entre duas pessoas para lá de sinceras. Depois de três meses o Marcos embarcou pela primeira vez para a Europa.

O primeiro encontro, aquela coisa estranha, uma mistura de felicidade com estranheza, com saudade e costume de estar sozinho. Sim, em três meses você se acostuma a não ter a pessoa ao lado. E não, não sou fria e sem sentimentos (às vezes só), sou realista. Durante a viagem a estranheza passou, mas as discussões continuaram. Acho que você se acostuma demais a ter alguém, mas este alguém estar longe, e ao conviver novamente, agora 24 horas intensas, tudo que incomoda ou não incomoda vem para o primeiro plano. Coisinhas e tolerâncias que você já não percebe, ou deixa passar, no cotidiano. Normal não? Nós achamos, e isso não nos impediu de aproveitarmos ao máximo cada lugar e cada momento, afinal, estávamos no mesmo carro, no mesmo hotel a na mesma cama. E como falei antes, sempre nos comunicamos sobre tudo, e isso não foi diferente no Skype, durante a viagem ou no dia a dia. E por isso decidimos também procurar o nosso lar.

Ok, o Marcos voltou, e mais dois meses se passaram antes de eu voltar. Aquelas mesmas conversas dos primeiros meses se repetiram. Sim pessoal, as coisas vão e volta. Mas como tínhamos essa certeza, não, certeza não temos de nada nunca, o termo certo seria essa vontade de estar juntos e construir o nosso cantinho, as coisas estavam mais amenas e a organização à distância começou. O dia de voltar para o Brasil chegou. E tudo foi lindo e viveram felizes…. Para tudo! Não! Não foi bem assim! Todas aquelas discussões e cobranças sem nexo voltaram. As mesmas que tivemos durante a viagem, só que agora aqui, e relacionadas a todos os detalhes daqui. Casa, família, amigos, trabalho, o carro, a moto, o passeio, a corrida, o sexo, eu e ele, ele e eu. Como o nosso amigo Marcos, o cunhado, diria para a Carol: “Amorzinho, olha eles! Eles estão em crise!” Sim! Passamos por isso. Precisamos conversar mais, entender, compreender e ceder. Mas hoje posso, ou podemos, dizer, superamos a crise e voltamos ao “normal”. Seja lá o que for isso. A conclusão? O relacionamento à distância não foi sempre uma tarefa fácil, aliás, nem um pouco, mas nos uniu e fortaleceu. Será? Acho que sim. Aprendemos, mudamos e evoluímos muito, sozinhos e um com o outro. O resultado final, a decisão de encontrar um lar. Será que já encontramos?

um quarto sobre dois

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um complexo encanamento

A vida a dois é puro glamour: Seu grosso!; Não vai sair assim né?; Você não me ama mais?; Não sente mais tesão?; Por que não quer sair com os meus amigos?; Tá gritando porquê?; Mas eu quero que você venha junto!; Ah, hoje quero sair sozinha com as minhas amigas.; Minha mãe nos convidou para o jantar e você também tem que vir.; Minha melhor amiga não vai com a sua cara!; - e por aí vai. Quem já não ouviu comentários deste tipo e passou por discussões em que nenhum dos lados quer abaixar a cabeça porque o orgulho e o ego falam mais alto? Sim, casais! Casais de amigos, casais de namorados, noivos e casados, o rótulo não tem significado algum neste contexto – ou em qualquer outro. Por quê temos a tendência de focar nos podres de um relacionamento? Quando encontramos com uma amiga, ou amigo, e alguém pergunta: “E aí como tá o relacionamento?” A resposta é breve quando tudo está bem - “Estamos ótimos!”, mas quando a tampa está virada - “ Nossa! Você não sabe o que ele(a), fez, falou e disse, deixou de fazer, falar e dizer…” E por ai vai.

O diálogo sempre foi algo muito presente no meu relacionamento com o Marcos. Desde aqueles momentos da amizade colorida, pós encontro na praça. É praxe que aquilo que acontece entre quatro paredes, dificilmente sai de lá, a não ser num momento de desabafo entre amigos. Poucos sabem o que realmente acontece entre casais, mas para nós, falar bem ou falar mal, numa forma de desabafo geral, pode fazer bem para todo mundo. Afinal, não somos todos iguais?
Não se apresse. Nós não temos o relacionamento perfeito - longe disso! Não acho que ninguém possua tal dom, esse, de ser perfeito. Temos defeitos, manias, jeitos esquisitos e implicâncias, sozinhos e um com o outro. Somos verdadeiros chatos que se encontraram e convivem e sim, isso gera momentos de muitas risadas, muitas conversas, tentativas constantes de mudanças e evolução, e também discussões sobre assuntos que soam insignificantes depois de algum tempo. Até que um abaixe a cabeça e diga, “Sim Schatz – um de nossos apelidos criados durantes estes anos de convivência – você tem razão! Desculpa!” Parece rápido e fácil, mas as vezes dura um pouco mais do que alguns minutos e nem sempre soa tão agradável e racional.

ilustrações por kaju.ink
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