Sabe aqueles dias que você acorda querendo enfiar a cara no travesseiro, reclamar de tudo que está sendo feito errado, ou certo, enfiar a mão na buzina para o cara que te fechou e definitivamente não sorrir para o porteiro, amigo, namorado ou marido. Você sabia que o mau humor (homens, não confundir com a tpm), atinge grande parte da população mundial e pode causar reações fisiológicas a longo prazo? Normalmente o mau humor é causado por fatores externos temporários como uma noite mal dormida, uma furadeira no andar de cima, reuniões longas e sem resultados, brigas com pessoas queridas, ou não tanto, e sim, além de muitos outros, nesta cidade, o trânsito. Entendemos que existem diversos fatores que nos deixam assim, insuportáveis, e admitimos que também temos alguns dias assim (eu admito aqui), mas quando temos que encontrar e lidar com terceiros tentamos deixar de lado e, mesmo que não agradáveis, tentamos ser no mínimo respeitáveis.

Marcos e eu tivemos uma experiência chocante no início do ano durante uma visita à Tok&Stok. Estávamos esperando no balcão de retirada uma encomenda de um móvel e observamos uma senhora acompanhada de sua filha fazendo uma reclamação com o Leandro, coordenador da sessão. Ela havia comprado dois apoiadores de livros (aqueles que servem de apoio para o livro na prateleira), com dois motivos e cores diferentes. Ao chegar em casa notou que os apoiadores eram para o mesmo lado e que não funcionavam para segurar uma pilha de livros soltos na estante: levou o produto para trocar. Até aí, tudo bem. Encostamos no balcão no momento em que o Leandro trouxe dois produtos novos e explicava que eles eram assim, que não tinham dois “taxis” para lados diferentes. Os produtos eram individuais e feitos para serem usados separadamente. A Sra, vamos chama-la de Rosa, inconformada e sem entender começou a levantar a voz e falar que era um absurdo: “Como dou um presente para alguém que não funciona?” “Tem que ter um apoio com o mesmo motivo para o outro lado.” “ Isto é burro!” “Você é incompetente, faz alguma coisa!” “Esta loja é uma m%¨*&!” e estas foram as partes “tranquilas” dos ataques. Leandro sem saber muito o que dizer dizia apenas cordialmente: “ Desculpa Sra. Infelizmente não posso fazer nada, o produto é assim e vem assim do fornecedor. A Sra. Pode trocar por outro produto se estiver insatisfeita.” Após ataques incessantes de Rosa e em seguida de sua filha, ela virou para nós e buscou aprovação ao que estava fazendo. Nós ligamos a nossa chave gélida e diretamente mostramos em nosso olhar que ela estava errada. Bufou, bufou, bateu o pé no chão e o produto sobre o balcão e disse: “Me dá essa merda! Vamos embora deste lugar filha!”(- não se misture com essa gentalha – gentalha, gentalha!) e partiu pela porta de vidro no final do corredor. Cuidamos do que viemos fazer e oferecemos um olhar simpatizante para o Leandro que ainda olhava confuso para a porta. Alguns minutos depois Rosa voltou e notamos que jogou a sacola no lixo ao lado da porta. Trocamos olhares e lá foi o Marcos buscar a sacola. Quando chegou ao meu lado olhamos para dentro da sacola e demos risada. Veja as fotos abaixo para entender o porquê.

Rosa estava em um dia ruim? Talvez. Teve uma noite de insônia? Brigou com o marido? Pegou um trânsito insuportável para chegar à loja e não conseguir trocar pelo produto que queria? Ou simplesmente mais uma mal-comida na cidade? Talvez. Talvez e talvez novamente. Mas justifica tratar outros assim? Do que adianta descontar a sua raiva e infelicidade no coordenador que apenas fez o seu trabalho? E ainda, do que adianta fazer o que fez com os produtos? Não sabemos - só sabemos o motivo pelo qual tiramos o produto do lixo. Veja a última foto para entender: as crianças do porteiro do prédio do Marcos vão ficar felizes da vida quando o pai chegar em casa com um presente novinho em folha para elas.