Certa vez a Sandra, nossa médica/conselheira/bruxa me disse que nosso bem estar está diretamente relacionado a tudo que comemos – isto é, alimentos, bebidas, conversas, companhias, pensamentos, energias e tudo mais que absorvemos do nosso entorno. Daí veio o nome dessa categoria do blog: Ser esponja. Foi ela que disse também que, quando os homens, vorazes seres inescrupulosos, dizem que comeram uma mulher ou que, comé-la hão, estão na verdade sendo muito felizes em sua colocação, visto que os relacionamentos interpessoais são responsáveis por grande parte de nossa alimentação diária e, consequentemente, nossa saúde mental e física.

Nós somos o que comemos. Estou ciente que não terei rios de seguidores levantando esta questão às 17 horas da tarde de uma sexta feira pré-carnaval. Vocês querem folia, bebida e sexo, eu sei. Carnaval é tempo de se jogar, curtir como se não houvesse um amanhã e, se houver, tudo bem, é festa novamente como se não houvesse um amanhã, outra vez - depois de uma semana a gente volta, pega um trânsito de 12 horas e se recupera durante a primeira semana de volta ao ofício do país. Listando os fatos parece que estou criticando, mas não estou. Eu gosto do Carnaval, uma das manifestações culturais mais fortes de nosso povo e, um momento de celebração pelo simples fato de estarmos vivos – não é em todo país que se encontra isso. Contudo, penso e logo, filtro. Vale curtir, vale transar, vale beber e enfim, comer o que tiver vontade - mas vale também lembrar que, não adianta postar fotinho de suco verde no instagram e ostentar seus tempos de corrida no Nike+ num dia, se, noutro, você se encharca de cachaça e entorpecentes como se fosse o último Rei da Escócia. Para os que pretendem permanecer vivos, há sempre uma semana que vem e nosso corpo não esquece da semana passada.

Cansei de ouvir de meus amigos que “agora é Carnaval e vou me acabar. Depois volto a treinar/comer/dormir direito. Vou lavar a alma!” Oras, colega - nós somos como esponjas amarelinhas que quanto mais encharcamos de aditivos, mais sujos ficamos. Depois não adianta deixar de molho.

Neste e, em todos os últimos Carnavais, Kalina e eu vamos na contramão e vamos para uma cidade bem próxima chamada São Paulo – um lugar e tanto, quando está vazio. Por aqui vamos curtir e nos esbaldar de tudo que curtimos e nos esbaldamos diariamente – boa alimentação, boas companhias, boa música e bons amigos. Pra beber, vamos aproveitar da água de nossa última aquisição: um filtro de barro daqueles que tinham na casa de campo da vovó – a água mais pura para se beber, segundo pesquisas internacionais… mas não precisa esquentar a cabeça e vê se corre pra não perder o esquenta.