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o que faz teu coração bater mais rápido

ser esponja

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trekking no maciço do Mont Blanc, França

Parece que o exercício físico nunca sai de moda ou da prescrição médica. Kalina publicou esses dias um texto sobre a nudez feminina que citava a nova onda estética dos músculos: “trincado é o novo magro”; ontem li um artigo publicado na Forbes, que elencava os 5 hábitos diurnos dos bem-sucedidos(recomendo, pratico, mais desse tema em breve), onde o exercício subiu no lugar mais alto do pódio novamente; o seu médico(nutricionista, psicológo, mentor, bruxo, tanto faz) que rabisca palavras ilegíveis em suas receitas, é certamente sempre muito claro em relação a isso: você precisa levantar a bunda e se mexer. Oras, se até mesmo os comerciais da Nike e, pasmem, da Coca-Cola, nos lembram que é essencial mantermos uma rotina saudável de esportes, porque será que é tão difícil para nós mantermos uma prática regrada de treinos?

Sempre que pergunto aos meus amigos sobre o tema, os mesmos estão sempre voltando pra academia, voltando a correr ou começando ioga. Ou seja, voltando pro início - salvo algumas excessões de atletas assíduos, é difícil identificar uma constância como: “estou firme, há 7 anos remando na raia da USP, três vezes por semana”. Há alguns anos entendi que, para manter longe a minha (antes incontrolável) rinite, eu precisava ter uma rotina de exercícios e boa alimentação constantes. Nesta época eu já estava na faculdade e a massa de trabalhos e obrigações já estavam reduzindo o tempo que eu dispunha para os esportes: tive que parar a prática de anos de Kung Fu para me dedicar aos meus objetivos, pois aquilo simplesmente ocupava muito do meu dia. Em contrapartida, eu sempre detestei academia. Eventualmente eu encontrei a solução e atualmente consigo treinar alguma coisa todos os dias: corro nos dias mais corridos (perdão pelo trocadilho) - uma hora é suficiente para alongar bem, correr 8kms, refrescar a cuca e ter duas ou três ideias incríveis, chegar, alongar e tomar banho. Ao retomar o trabalho, estou sempre realizado e muito mais disposto. Nos outros dias eu faço escalada: eu amo subir paredes, desde moleque. Kalina está se encontrando com treinamento funcional e pilates. Você também pode escolher à vontade: pular com parkour, bater com peteca, agarrar com judô, rodopiar com ballet, arremessar com handball, deslizar com curling - e talvez, a chave da constância esteja bem aí: fazer o que gosta.

Eu sou fã de uns velhinhos que não cansam de repetir suas histórias positivas de vida e acredito que eles tem a resposta para a pergunta do começo desse texto. Carlos Gracie, um brasileiro criador de uma dinastia, mantinha uma árdua rotina de treinos de Jiu-Jitsu em sua casa, onde ensinou todo uma geração de campeões dos Gracies. Dorian Paskowitz, um americano defensor e praticante de uma estilo de vida livre de amarras mas regrado em exercícios, surfa e anda, muito, todos os dias e, passou isso a todos os seus nove filhos, viajando pelo mundo num motor home. Reinhold Messner, italiano e provavelmente o maior montanhista de todos os tempos, treinou sem parar todos os dias para se tornar o primeiro a alcançar o cume de todas as catorze montanhas acima dos 8.000 metros de altura no mundo. Você deve estar se perguntando o que você tem a ver com esses caras. Sim, estes expoentes escolherem um estilo de vida, diferente do seu, mas tem um fator crucial em todas as suas histórias: eles encontraram uma exercício que são apaixonados. Eles acreditavam que a prática do seu exercício é um momento de reflexão e energização própria, e passaram dos seus 90 anos de idade (alguns ainda na ativa) para contar a história. A boa notícia é que você não precisa subir uma montanha por dia para alcançar o seu equilíbrio – basta descobrir o que faz teu coração bater mais forte.

Pode parecer clichê, mas é melhor relembrar que deixar que a sua vida se torne, justamente, um clichê: não pratique natação porque seu médico manda, ou faça crossfit porque é o exercício da moda. Movimente-se fazendo o que ama, todos os dias, pois assim terá mais disposição para alcançar seus objetivos.

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Carlos Gracie, voando

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Dorian Paskowitz e sua prole

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Reinhold Messner em seu habitat natural

Ser esponja

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o equilíbrio tem que ser constante

Nosso corpo é constituído de mais de 70% de água - nós não somos humanos, somos esponjas. Em meio a enxurrada de informações do cotidiano, absorvemos dos líquidos que bebemos , da comida que comemos, das energias que trocamos, das imagens que vemos e dos sons que ouvimos. Não se engane amigo, você também é um dos nossos. Já é hora de escolher a poça que vamos enfiar o pé.

Você absorve as vibrações que emanam de seu entorno, pessoas, alimentos e bebidas - pelo menos nós acreditamos que sim. Vivemos numa sociedade de dualidades constantes e temos que nos equilbrar entre uma série de extremos: responsabilidades e vontades; família e amigos, trabalho e lazer, movimento e ócio, racionalidade e emoção, exercícios e alimentação. Nessa gangorra diára, absorvemos de tudo que nos rodeia: seja em meio a multidões ou a sós em um quarto escuro - informações que escolhemos captar e as tantas outras que preferiríamos evitar.

Estamos em busca, Kalina e eu, de um equilíbrio corporal, mental e emocional. Vivemos em São Paulo, cada um é dono de sua própria empresa e nariz e não é nada fácil evitar que o nosso corpo reflita o meio em que vivemos. Eu, num duelo feroz contra a acidez da cidade e ela, evitando a inflação do glúten da era industrializada. Em meio aos pormenores, vamos na contra-mão do senso-comum num passeio de magrela com nosso amigo Einstein, “A vida é igual andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio é preciso manter-se em movimento.” - Ok Albert, mas quando vamos relaxar? Acho que tá na hora de uma pausa para um chá. É, somos consumidores assíduos e amantes confessos daquilo que alguns chamam de água suja – uma das poças que escolhemos pisar.

ilustrações por kaju.ink
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