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os destinos de viagem

pensar acordado, explorar sem parar

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[chammonix, 2013] estar em contato com a natureza...

Desde crianças fomos incentivados a viajarmos sozinhos, ou em grupo, para conhecer novas culturas e vivenciar novas experiências. O Marcos aos 15 anos morou na Nova Zelândia por um ano. Eu fiz minha primeira viagem sozinha aos 10, para passar pouco mais de um mês na Suiça com a minha avó e ir à escola. Nossas famílias nos ensinaram os valores destas experiências e nós os abraçamos com vontade. Desde que nos conhecemos compartilhamos este sonho de constante de desbravar o mundo. A cada dia adicionamos um item na lista de lugares que queremos conhecer. Parte das nossas rendas e economias acabam indo para estes destinos. Sempre gostamos de dizer: “ É para isso que trabalhamos! “

São tantas paisagens, cidades, amigos e familiares para visitar. Mas uma coisa é certa, não somos do tipo de pessoa que gosta de visitar apenas os grandes centros urbanos e conhecidos, aqueles pontos de encontro, quase clichês, de todos que saem de seus países. Isto faz parte da viagem, mas evitamos até onde podemos. Gostamos do desconhecido, dos costumes locais, dos lugares que a sociedade frequenta, sem a presença de muitos de fora. Excursões e pacotes fechados de viagens, definitivamente não fazem parte dos nossos roteiros.

Percebemos que os destinos variam muito com a fase da vida que estamos. Há alguns anos atrás o legal era fazer as famosas “voltas pela europa”. Um mochilão nas costas, quartos em albergues com mais 10, 5 cidades em 10 dias, comidas baratas, para talvez ainda poder arrematar um novo look antes de voltar para casa. Este pique passou, e a necessidade de valorizar um pouco mais o bem estar falam mais alto. Os momentos que vivemos acabam trazendo viagens quase que de forma natural. Amigos com ideias e ideais similares, encontros para comemorações, eventos que não queremos perder.

Quando paramos para pensar, os últimos destinos e os que mais nos inspiram no momento são aquele que, de alguma forma, adicionam ao nosso estado físico e mental. Lugares que instigam as nossas criações e o nosso estado físico. Centros urbanos tem esta força, mas estamos tendendo ainda mais para lugares remotos de natureza que chega a espantar. São nestes lugares que de alguma forma nos conectamos com o nosso interior, com o silêncio, com os nossos pensamentos e projetos. Ao invés de percorrer muitas cidades em poucas noites, a intenção agora é conhecer tão bem o lugar que estamos, que talvez chegue a ser uma imersão.
Depois de escolher o destino partimos para a estadia e alimentação, que talvez antes não estavam no topo da lista. Não precisa ser um hotel de muitas estrelas, nem roteiros que tenham resorts (muito pelo contrário), mas sim um local para chegar no final do dia, com um bom chuveiro e cama, para nós apenas, e não dividir com estranhos que não respeitam a regra do falar baixo, ou arrumar a mala às 3 da manhã com todos os plásticos disponíveis no planeta terra. Um pouco de conforto, é o mínimo. Uma boa alimentação é um ponto tão importante como o chuveiro e a cama. Para conseguir aproveitar ao máximo as nossas estadias, temos que nos alimentar bem. Uma comida barata e ruim pode facilmente estragar alguns dias de viagem. Ao invés de ver lindos pontos, o lugar mais visitado será o quarto e banheiro. Gostamos de conhecer os sabores locais, e com isso buscamos referências de onde comer bem por preços honestos. Nada como saborear os temperos locais de forma agradável e sem preocupações.

O que ver nos lugares? Isso importa realmente? Ao ter esta mente aberta para “sentir o lugar”, não fazemos grandes roteiros dia a dia. Gostamos de viver os momentos, de sentir o que o corpo e mente pedem no dia. Se é dormir até um pouco mais tarde, ou acordar as 4 horas da manhã para ver o nascer do sol de um mirante extravagante. Visitar um, dois ou três bairros, ou apenas caminhar pelo quarteirão da estadia. Estas coisas não são tão importantes, quando a verdadeira intensão é desconectar do cotidiano, e reconectar com o nosso interior e exterior momentâneo.

Já parou para pensar como você planeja as suas viagens? Precisamos realmente ter tudo anotado e definido antes mesmo de sair de casa? Temos espaço para um pouco de espontaneidade? E por quê caminhar pelas ruas principais? Como já escreveu J.R.R. Tolkien: “not all those who wander are lost!” (nem todos que vagueiam estão perdidos.)

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[chammonix, 2013] ...sua extravagancia e silêncio...

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[austrália, 2015]suas cores e composições, simplesmente nos encantam.

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[atacama, 2016] alcançar desafios pessoais...

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[atacama, 2016]...nos inspirarmos simplesmente pelo lugar que estamos naquele momento...

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[havaí, 2014] saborear os temperos locais em pequenas lojas....

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[havaí, 2014] estar na presença de pessoas queridas, em silêncio, observando eventos naturais....

enfiando o pé no equilíbrio

ser esponja

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kauai juice co. uma marca de sucos exóticos e orgânicos

A maioria das pessoas, ao entrar de férias, se sente livre para sair da rotina de restrições, comer o que se tem vontade e, na maioria das vezes, “chutar o balde”. Sair de férias quer dizer comer todas aqueles alimentos que normalmente se priva e, ao voltar para casa, se matar um pouco mais na academia para perder todas aquelas gordurinhas a mais. O Marcos e eu já saímos de férias muitas vezes juntos e, na grande maioria delas, emagrecemos. Sim, perdemos peso e/ou ganhamos massa muscular. Ai fica aquela pergunta no ar: “Vocês não aproveitam para comer tudo aquilo que não tem em casa?” a resposta é “SIM, com certeza!”. Não é porque optamos por um estilo de vida saudável que não sentimos prazer em comer, ou que não provamos coisas novas, ou que não saímos para comer fora. Muito pelo contrário! Uma das primeiras coisas que fazemos ao chegar em outra cidade ou país, é ir ao supermercado. Por ali ficamos horas lendo embalagens, conhecendo novos produtos e enchendo o carrinho de guloseimas.

Para muitos viajar para os Estados Unidos é sinônimo de comer hambúrguer, batata frita e refrigerantes, tudo em porções XL (extra large ou extremamente grande). Para nós é viajar para um dos paraísos da alimentação saudável. No mesmo lugar que você encontra tudo do mais industrial, com as maiores quantidades de conservantes e açúcares, você encontra o que há de mais natural. E assim foi a nossa viagem ao Havaí no final de 2014. A companhia ajuda nestes fatores, e neste caso, além de nós dois, estavámos ao lado dos meus pais, irmãs e agregados. E sim, todos apreciam de uma rotina de alimentação saudável e atividades físicas. No total éramos oito pessoas que compartilham a vontade de explorar e experimentar. Idas ao supermercado resultavam em horas pelos corredores, mais alguns minutos para juntar o grupo e um grande carrinho que assustava os caixas quando nos avistavam.

Estes carrinhos gigantes nos sustentavam para cafés da manhã, lanches durante o dia, enquanto estávamos explorando as ilhas, e jantares. No café da manhã cada um preparava o seu: frutas, pães, mingau, sucos verde, e quando havia o interesse um provava do outro. Depois do café da manhã preparávamos uma sacola térmica com frutas (banana, maçã, mixarias e abacaxi local), água, nozes (amêndoas, sementes e macadamias locais) e carboidratos (biscoitos salgados sem glúten, salgadinhos - sim! salgadinhos! - de batata doce, arroz ou milho, assados, orgânicos e sem conservantes). Durante o dia fazíamos os lanches no carro a caminho de novos lugares ou sentados apreciando alguma bela paisagem. O almoço era um pouco mais reforçado e normalmente acontecia em algum lugar no caminho. Uma rápida pesquisa nos livros sobre a ilha ou no tripadvisor, e normalmente eram compostos de misturas leves e locais. O Havaí tem grandes influências orientais então pratos com peixe cru (Ahi, Mahi Mahi, entre outros) são muito comuns. Isto era balanceado com saladas e sucos naturais. Durante a tarde ou de sobremesa nos deliciávamos com os smoothies locais - sucos cremosos e gelados com combinações de ingredientes exóticas. Como os sucos do Kauai Juice Co, ou os smoothes do Healthy Hut por exemplo. De volta em casa cada casal se revezava e aventurava na cozinha para preparar o jantar para o restante do grupo.

Uma alimentação regrada e saudável foi acompanhada de uma rotina (sem rotina) de exercícios. Trilhas, caminhadas, corridas e remadas. Alguns dias não nos movimentamos tanto e o grupo já pensava na próxima atividade que exigisse um pouco mais do corpo. Cada um respeitava o seu corpo e seus limites, mas sempre chegávamos e partíamos como um grupo. O resultado da viagem e deste equilíbrio, mesmo de férias? A descoberta de novos alimentos e novos gostos, o interesse por novas atividades físicas (ou a vontade de praticar com mais frequência) o desenvolvimento de novos músculos e, acima de tudo, uma grande vontade de voltar!

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a alimentação começa no avião: comida especial sem glúten e lanches comprados no aeroporto

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cafés da manhã em família e energia para o dia

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café da manhã de parte do grupo

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aproveitando os produtos locais

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paradas para smoothies (healthy hut)

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conhecendo produtores locais - aqui, um de chá

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dia de chuva também é dia de pic nic

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açai e pitaya em tigelas

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o abacaxi havaiano

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prato típico: poke (espécie de ceviche, mas sem marinar o peixe )

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parada obrigatória em food trucks

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caminhando e explorando a vizinhança

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trilhas

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movimentar-se, não importa como

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remada no mar

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caminhadas

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passeio em grupo pelos rios

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lema que levamos conosco

e aí, mudou?

pensar acordado

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cotidiano

Fui jogar bola com uns amigos essa semana e, na volta, o Rodrigo me perguntou:

  • E aí, você se mudou, o apê tá mudando e ficando bacana, mas e o seu relacionamento com a Kalina, mudou?

A pergunta me pegou desprevinido, como ele bem pode confirmar. Fiquei um tempo a pensar…

  • Não.

Afirmei com certeza momentânea, após segundos de uma enxurrada de lembranças das útlimas semanas.

Já faz quase 1 mês. Vinte e tantos dias que saímos do ninho de conforto da casa de nossos pais para nos aventurarmos no desconhecido, encontrar nosso caminho e construir um lar. Cá estamos e, agora, escrevo-lhes da nossa nova mesa de trabalho, que ainda não está pronta mas já dá pra usar. Falta colar alguns acabamentos, assim como o resto do apê, mas, sentado aqui, vejo os detalhes do nosso cantinho em construção, a nossa cidade ao fundo pelas janelas, Kalina trabalhando ao meu lado desenhando mais alguma de suas incríveis ilustrações e bufando também por algum motivo desconhecido – nada de anormal, mas linda, como sempre.

  • Só melhorou.

Dei uma resposta espontânea que, pela cara de curioso do cara que vestia uma camisa suada do Boca Juniors ao meu lado, carecia explicação.

As últimas semanas foram intensas. Kalina e eu tentando nos equlibrar entre mudança de área e de ares, entre projetos e trabalho, entre mini-open-houses para os amigos e para os familiares, entre furar e limpar, entre comprar e cozinhar, entre amor e sexo – tudo junto e misturado. Uma delícia e, por isso mesmo, creio, nosso relacionamento ficou mais forte e só melhorou. Brigas, é claro: coisas bobas, convivência, manias (schatzie, olha essa esponja encharcada!), esquecimentos (schatz, você deixou a panela no fogo! ), mas de um modo geral, estamos dando um jeito e fazendo quase tudo de mãos dadas. Mercado, cozinha, mesa, sala, quarto, piscina, chuveiro, cama: tudo juntos mas, nem tudo – o que nos leva ao início deste post.

Não importa o quão bem um casal se dá, não interessa se combinam e descombinam na mais perfeita harmonia: todos precisam de um tempo para si – nós não somos diferentes e valorizamos muito o tempo só, ou com os próprios amigos. Ontem eu fui jogar futebol com Rodrigo, Mohamad (meu sócio) e mais um bando de marmanjo e Kalina foi jantar com os pais. Outro dia decidi ficar em casa trabalhando enquanto ela foi visitar nossos vizinhos e amigos (longa história, para outro dia). Em um outro, eu fui correr e ela nadar. Pensando bem, essa separação também é uma forma de nos equilibrarmos, certo?

Muita coisa mudou, claro, mas o relacionamento - concluo com um sorriso de criança com sorvete, só melhorou.

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cotidiano, verdadeiro. : P

Ser esponja

ser esponja

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o equilíbrio tem que ser constante

Nosso corpo é constituído de mais de 70% de água - nós não somos humanos, somos esponjas. Em meio a enxurrada de informações do cotidiano, absorvemos dos líquidos que bebemos , da comida que comemos, das energias que trocamos, das imagens que vemos e dos sons que ouvimos. Não se engane amigo, você também é um dos nossos. Já é hora de escolher a poça que vamos enfiar o pé.

Você absorve as vibrações que emanam de seu entorno, pessoas, alimentos e bebidas - pelo menos nós acreditamos que sim. Vivemos numa sociedade de dualidades constantes e temos que nos equilbrar entre uma série de extremos: responsabilidades e vontades; família e amigos, trabalho e lazer, movimento e ócio, racionalidade e emoção, exercícios e alimentação. Nessa gangorra diára, absorvemos de tudo que nos rodeia: seja em meio a multidões ou a sós em um quarto escuro - informações que escolhemos captar e as tantas outras que preferiríamos evitar.

Estamos em busca, Kalina e eu, de um equilíbrio corporal, mental e emocional. Vivemos em São Paulo, cada um é dono de sua própria empresa e nariz e não é nada fácil evitar que o nosso corpo reflita o meio em que vivemos. Eu, num duelo feroz contra a acidez da cidade e ela, evitando a inflação do glúten da era industrializada. Em meio aos pormenores, vamos na contra-mão do senso-comum num passeio de magrela com nosso amigo Einstein, “A vida é igual andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio é preciso manter-se em movimento.” - Ok Albert, mas quando vamos relaxar? Acho que tá na hora de uma pausa para um chá. É, somos consumidores assíduos e amantes confessos daquilo que alguns chamam de água suja – uma das poças que escolhemos pisar.

ilustrações por kaju.ink
catalisado por person.agency