Compartilhar encontros com amigos e família, viagens, risadas, situações delicadas e difíceis, cursos ou apenas um jantar a dois são os momentos que enriquecem a vida de casais. Uma vida a dois se alimenta de companheirismo, amizade e o vínculo entre as duas pessoas. Este apoio e energia dão confiança para o casal e para cada parte enfrentar e superar desafios da vida. Pelo menos é o que dizem. Ótimo. E o que acontece quando um casal se separa pela distância? Entre cidades, entre países ou oceanos. Já contamos um pouco sobre como nos conhecemos, como lidamos com situações do cotidiano e em que o nosso relacionamento se baseia. E vocês podem pensar “Ótimo de novo Kalina!” “E como foi quando você não estava aqui?”

Vou ser bem sincera desde o início, não é fácil, mas hoje posso dizer que foi mais fácil do que eu achava, embora não esperasse muita coisa. Acho que isso facilitou tudo ainda mais. Do começo: Os dois, Marcos e eu, lidamos com isto de forma natural. Quando decidi passar um tempo fora do Brasil ele me apoiou muito (primeiro ponto ai: por que não apoiar a outra parte em suas vontades e sonhos?). Todo mundo perguntava: “Ah, mas e o Marcos? Vai deixar ele aqui? Ele deixou você ir?”. Primeiro, ninguém tem que deixar nada, vocês tem e sempre tiveram vontades próprias, desejos, sonhos e vidas individuais, antes e depois de conhecer uma pessoa. Segundo, se o relacionamento não for estável, ou não for para durar, ele vai terminar com as duas partes juntas ou separadas. Terceiro, ao privar pessoas de seguirem aquilo que querem ou ter experiências novas na vida, você é cumplice na frustração que pode vir mais tarde. Não estou dizendo que para nós foi tudo fácil e simples e que simplesmente fui e voltei e tudo continuou da mesma forma.

Sim, o Marcos me apoiou, eu fiz as malas, e embarquei para a Suíça. O primeiro mês foi o período mais difícil. Um lugar novo para mim, para o Marcos o mesmo lugar, mas sem a minha companhia quase diária; sentimentos e sensações novos. E aquela dúvida, relacionamento aberto? E se eu conhecesse alguém incrível por lá? Ou ele por aqui? Sim, conversamos sobre isso, e sobre outros assuntos pelo Skype e Whats app. No início algo mais constante, o que criou algumas discussões e desentendimentos, até que percebemos que o quanto menos nos falávamos, mais rápido o tempo passava e a saudade não apertava tanto. As sessões de Skype foram diminuindo e as conversas no Whatsapp se resumiam a emoticons de bom dia, boa noite e algumas histórias, troca de experiências e fatos acontecendo durante os dias. E claro algumas cutucadas aqui e ali também aconteciam. Necessárias às vezes, e em outras desnecessárias. Natural não? Surgem questionamentos, inseguranças e desconfianças. Nada de mal, nada de novo, apenas parte de um relacionamento à distância entre duas pessoas para lá de sinceras. Depois de três meses o Marcos embarcou pela primeira vez para a Europa.

O primeiro encontro, aquela coisa estranha, uma mistura de felicidade com estranheza, com saudade e costume de estar sozinho. Sim, em três meses você se acostuma a não ter a pessoa ao lado. E não, não sou fria e sem sentimentos (às vezes só), sou realista. Durante a viagem a estranheza passou, mas as discussões continuaram. Acho que você se acostuma demais a ter alguém, mas este alguém estar longe, e ao conviver novamente, agora 24 horas intensas, tudo que incomoda ou não incomoda vem para o primeiro plano. Coisinhas e tolerâncias que você já não percebe, ou deixa passar, no cotidiano. Normal não? Nós achamos, e isso não nos impediu de aproveitarmos ao máximo cada lugar e cada momento, afinal, estávamos no mesmo carro, no mesmo hotel a na mesma cama. E como falei antes, sempre nos comunicamos sobre tudo, e isso não foi diferente no Skype, durante a viagem ou no dia a dia. E por isso decidimos também procurar o nosso lar.

Ok, o Marcos voltou, e mais dois meses se passaram antes de eu voltar. Aquelas mesmas conversas dos primeiros meses se repetiram. Sim pessoal, as coisas vão e volta. Mas como tínhamos essa certeza, não, certeza não temos de nada nunca, o termo certo seria essa vontade de estar juntos e construir o nosso cantinho, as coisas estavam mais amenas e a organização à distância começou. O dia de voltar para o Brasil chegou. E tudo foi lindo e viveram felizes…. Para tudo! Não! Não foi bem assim! Todas aquelas discussões e cobranças sem nexo voltaram. As mesmas que tivemos durante a viagem, só que agora aqui, e relacionadas a todos os detalhes daqui. Casa, família, amigos, trabalho, o carro, a moto, o passeio, a corrida, o sexo, eu e ele, ele e eu. Como o nosso amigo Marcos, o cunhado, diria para a Carol: “Amorzinho, olha eles! Eles estão em crise!” Sim! Passamos por isso. Precisamos conversar mais, entender, compreender e ceder. Mas hoje posso, ou podemos, dizer, superamos a crise e voltamos ao “normal”. Seja lá o que for isso. A conclusão? O relacionamento à distância não foi sempre uma tarefa fácil, aliás, nem um pouco, mas nos uniu e fortaleceu. Será? Acho que sim. Aprendemos, mudamos e evoluímos muito, sozinhos e um com o outro. O resultado final, a decisão de encontrar um lar. Será que já encontramos?