Nós chegamos nesse mundo da mesma forma que daqui partimos: sozinhos. No meio tempo, no entanto, buscamos nos conectar e interagir uns com os outros, buscando reconhecimento, apoio, inclusão e laços. “Happiness is only real when shared”, escreveu Christopher McCandless no seu notório livrinho que levou para sua aventura pelo Alaska. Cada um de nós é dotado da própria personalidade, manias, medos e desejos – é por isso que o ato de conviver é tão desafiador e, ao mesmo tempo, tão excitante: nós queremos sempre mais, mas por issso, temos que arcar com os custos.

Aqui no apê não é diferente. Kalina com as esquisitices dela, eu com as minhas. Conflitos são inevitáveis e importantes: com eles, aprendemos a ter menos deles – basta que sejam seguidos de uma boa conversa, é claro. Com isso, a vida a dois tem seus custos no seu estilo de vida – você perde parte de sua privacidade e, aquele espírito Into the Wild de fazer o quer, a hora que quer, da maneira que quer tem que dar lugar a um espírito mais compartilhador: ambas as partes precisam estilingar um tranquilizante no instinto animal e aprender a dividir o território.

Um dos custos mais significativos que arcamos, juntos, é provavelmente o custo financeiro. Nós dividimos todas as contas do fim do mês e usamos um aplicativo bacana para nos ajudar com os números. Como um dos intuitos desse blog é transparecer as dificuldades e prazeres dessa mudança de fases, decidimos dividir com vocês também os custos reais do dia a dia de um casal vivendo (de forma simples, mas bem) nessa selva de pedras.

Já se foram dois meses desde que nos mudamos e já conseguimos traçar uma média. No início, para mobiliar o mínimo necessário, contando mesa de trabalho, de jantar, cadeiras, cama, máquina lava e seca, estantes, iluminação, filtro e outros apetrechos essenciais, gastamos cerca de R$7.000. Vale lembrar que nossos custos nesse quesito são relativamente baixos pois reaproveitamos muitos materiais que encontramos. Os gastos mensais são R$3.000 para aluguel + condomínio; R$200 para contas extras como interNET, água, gás, luz. Cerca de R$200 por semana de mercado (comendo bem, mas aproveitando as promoções, claro, como a quarta-feira Extra ; ). Somando alguns cineminhas, restaurantes, gasolina e custos extras, um mês bem vivido, por aqui, nos custa cerca de R$5.000, divididos por dois = R$2.500. Não é fácil administrar todas estas variáveis mas, com algum esforço é possivel viver bem, sem extrapolar o cartão de crédito.

Compartilhar felicidade é bom. Compartilhar todos os custos de convivência é melhor ainda. Agora, se um de nós decidir jogar tudo pro alto, por uma mochila nas costas e desbravar a natureza selvagem, vai ficar difícil para o outro, né? Compartilhando, vamos todos mais longe.