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Forrest Gump

O terceiro passo para aumentar a produtividade em busca de seus objetivos de vida, talvez seja o mais difícil para qualquer indivíduo: ser constante. Constância envolve a danada da rotina, e eu não conheço ninguém, além de Forrest Gump, que a considere sua melhor amiga: nós queremos sempre algo a mais e algo diferente. É fato, contudo, que para todos nós que temos metas a alcançar, a rotina acaba se tornando nossa maior parceira. Para solucionar este impasse, me parece que a motivação, vulgo a amante ardente por trás da implementação da tal rotina, esteja sempre presente. Estou falando de uma vontade e garra tão fortes quanto as da nossa vitoriosa seleção masculina de vôlei do Brasil. E que a sua melhor amiga, a parceira e a amante, estejam conscientes de sua co-existência para trabalharem juntas na sua satisfação.

Constância é uma das qualidades mais raras e admiráveis em uma pessoa. Desde garoto divago sobre este assunto e talvez seja por isso que, Forrest Gump, o contador de histórias, seja um dos meus filmes favoritos. O personagem vivido por Tom Hanks, é a constância em pessoa. Seja virando campeão mundial de ping-pong, criando uma empresa multibilionária de comércio de alimentos à base de camarão, correndo pelo mundo, liderando revoluções políticas ou buscando seu verdadeiro amor, Forrest é um exemplo de persistência cega, frequentemente sem motivos aparentes, simplesmente porque ele “sentiu vontade.” Ao mesmo tempo, suas rotinas repetitivas eram interrompidas abruptamente, porque não queria mais fazer aquilo. Faltava para Forrest, uma razão, um objetivo, um sonho para almejar e conquistar. Ele simplesmente vivia intensamente. Apesar de romântica, trata-se de uma história trágica em muitos aspectos, que aborda um personagem sem objetivos de vida e consequentemente, sem consquistas aparentes.

São poucas as pessoas que amam a própria rotina. Claro, é compreensível que uma sequência ordenada de afazeres repetidos diariamente não faça todos nós, seres humanos inconstantes, pularmos de alegria. Mas, como já sabemos, só a repetição traz a perfeição, e isso vale para qualquer habilidade que queremos aprender. Lutar esgrima, assar um pão, desenhar uma pessoa, escrever um texto, tocar um jazz - nós só vamos dominá-las, se as realizarmos repetidamente. O mesmo vale para você que está buscando uma promoção na multinacional que faz carreira, ou para você que está abrindo o seu próprio négocio. Você não precisa necessariamente amar a sua rotina, mas é preciso ter claro os motivos pelos quais esta foi implementada em primeiro lugar, para não nos perdermos pelo caminho sem motivação, como frequentemente acontecia com Forrest Gump.

É como vislumbrar o horizontel além das paredes de tijolos à sua frente. Ontem, 21/09/14, a seleção brasileira de vôlei não conseguiu o batalhado tetra mundial consecutivo. Apesar disso, este grupo da chamada era Bernardinho que iniciou-se em 2001, tornou-se a seleção de vôlei mais forte de todos os tempos, conqusitou uma infinidade de títulos e ocupa hoje o primeiro lugar do ranking da FIVB. Como eles conseguiram? Só disciplina e dedicação à rotina massante de treinos não seria suficiente para manter um comprometimento tão duradouro. O técnico e cada um dos jogadores tem a sua aspiração individual e, juntos, tem os maiores sonhos esportivos que um time pode ter. Foi uma prata amarga, a do mundial da Polônia que decidiu-se ontem, mas longe de ser uma derrota. A seleção brasileira já conquistou os sonhos mais loucos que uma mesma equipe poderia pleitear, e assim mesmo, apesar de todos os quase-títulos dos últimos 4 anos, continuam tentando, pois todos sabem bem as suas reais motivações. No caso de Forrest Gump, esta motivação inabalável só era encontrada em sua busca e amor incondicionais por Jenny, sua queridinha do colégio.

Para ser uma pessoa constante, ter sucesso em suas empreitadas e alcançar satisfação pessoal, é preciso encontrar o equílbrio das queridinhas presentes em sua vida. Não se preocupe se a rotina não é a sua melhor amiga: lembre-se de fazer dela sua parceira e de visitar sua amante, a motivação, todos os dias. Uma rotina produtiva é o fator resultante entre objetivos claros, repetição ordenada e motivações fortes. Quando sentir-se como Forrest Gump jogando na seleção brasileira de vôlei, estarás no caminho certo.

Regular sele  o brasileira de v lei

Seleção Brasileira de Vôlei masculino

dia a dia

pensar acordado

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vista da sala, a copa das árvores da mata que nos rodeia, e a Marginal ao fundo.

Assim que nos mudamos para o apê, Kalina e eu experimentamos uma confluência de sentimentos. Tudo era diferente e inusitado: o local, a vista, os vizinhos, cheiros, sons e energias. O processo de adaptação foi - e está sendo, uma aprazível caixinha de surpresas. Lembro-me quando deitamos no nosso recém chegado colchão no primeiro dia – a tão esperada “lua de mel” dessa nova fase e, de tão excitados, não conseguíamos nem dormir: não vai achando que foi sexo, pois na verdade deu grilo. Sim, grilos! Há uma mata densa, um braço verde conectado ao Parque Burle Marx que circunda nosso edifício. Como moramos no 3º andar, pairamos diretamente sobre a copa destas árvores e a noite escutamos uma sinfonia de grilos, o ruído constante de Marginal ao longe (podem achar que somos loucos, mas pra nós este som parece o mar) e uma brisa que dava a sensação que estávamos dormindo na praia – ficamos lá, extasiados, bobos alegres rindo a toa e nada do sono chegar. De fato, concordamos alguns dias depois, a experiência toda de mudança estava com uma cara de férias, como se estivéssemos por aqui para aproveitar – e por pouco tempo.

Tudo que é novo, encanta, assusta, atrai - mas a euforia vem de mãos dadas com uma série de responsabilidades. É assim com novos projetos profissionais ou de vida, é assim com filhos ou animais de estimação, é assim com namoros ou amizades recentes e é assim com mudanças como a que estamos passando. Aquele êxtase inicial está, lentamente, começando a se dissipar e agora é hora de encontrar o equilíbrio entre os afazeres de casa, as responsabilidades das empresas, o social com amigos/família, o tempo para si e a entrega entre nós dois (a ordem dos fatores não altera o produto). Isto é – estou percebendo, mais ou menos como encontrar a constância do amor, após a faísca da paixão – nada simples.

Nosso dia começa cedo e acaba tarde. Não digo isso como uma forma de vangloriação, mas como uma amostra fiel da carga horária que o estilo de vida que escolhemos acarreta - nós damos extrema importância aos pequenos detalhes. Ontem, por exemplo, o café da manhã me consumiu quase duas horas de preparação, pois estava me sentindo inspirado na cozinha. Quando sentei para trabalhar às 9:00, (depois de cuidar da horta), estava pronto para encarar os códigos complicados do projeto que estamos trabalhando no momento em minha empresa. Depois veio um técnico cuidar do aquecedor do nosso chuveiro, depois veio o lanchinho pré-almoço, depois saí para explorar o mato que comentei no começo do texto (onde, a propósito, encontrei uma tigela muito antiga abandonada no meio das árvores – se o dono não se manifestar logo o recipiente vai virar um vaso pra alguma planta da hortinha : P) e a corrida pelo Burle Marx. Quando voltei, preparamos o almoço juntos e quando sentamos para comer já eram 4 horas da tarde. Após o almoço voltamos a trabalhar, depois jantar na casa dos pais da Kalina e quando voltamos para o apê, sentei para escrever este texto que você está lendo. Quando terminei, o ontem já era hoje. Hoje, tudo novamente como ontem – os fatores são semelhantes. A ordem não.

Os dias estão passando rápido e aos poucos o nosso apê está tomando forma. Nossos dias são assim, intensos mas prazerosos, confusos mas organizados. A euforia da (aparente) férias está dando lugar a um carinho por cada detalhe que estamos construíndo juntos. Nosso cantinho começa a parecer um lar e a ficha começa a cair de que este é, de fato, nosso lugar. (pelo menos por enquanto.)

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suco pro café da manhã com Erva Cidreira da horta

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horta

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exercício todo dia

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estação de trabalho

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o mato, nosso vizinho.

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...e o que saiu de lá. : P

o que faz teu coração bater mais rápido

ser esponja

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trekking no maciço do Mont Blanc, França

Parece que o exercício físico nunca sai de moda ou da prescrição médica. Kalina publicou esses dias um texto sobre a nudez feminina que citava a nova onda estética dos músculos: “trincado é o novo magro”; ontem li um artigo publicado na Forbes, que elencava os 5 hábitos diurnos dos bem-sucedidos(recomendo, pratico, mais desse tema em breve), onde o exercício subiu no lugar mais alto do pódio novamente; o seu médico(nutricionista, psicológo, mentor, bruxo, tanto faz) que rabisca palavras ilegíveis em suas receitas, é certamente sempre muito claro em relação a isso: você precisa levantar a bunda e se mexer. Oras, se até mesmo os comerciais da Nike e, pasmem, da Coca-Cola, nos lembram que é essencial mantermos uma rotina saudável de esportes, porque será que é tão difícil para nós mantermos uma prática regrada de treinos?

Sempre que pergunto aos meus amigos sobre o tema, os mesmos estão sempre voltando pra academia, voltando a correr ou começando ioga. Ou seja, voltando pro início - salvo algumas excessões de atletas assíduos, é difícil identificar uma constância como: “estou firme, há 7 anos remando na raia da USP, três vezes por semana”. Há alguns anos entendi que, para manter longe a minha (antes incontrolável) rinite, eu precisava ter uma rotina de exercícios e boa alimentação constantes. Nesta época eu já estava na faculdade e a massa de trabalhos e obrigações já estavam reduzindo o tempo que eu dispunha para os esportes: tive que parar a prática de anos de Kung Fu para me dedicar aos meus objetivos, pois aquilo simplesmente ocupava muito do meu dia. Em contrapartida, eu sempre detestei academia. Eventualmente eu encontrei a solução e atualmente consigo treinar alguma coisa todos os dias: corro nos dias mais corridos (perdão pelo trocadilho) - uma hora é suficiente para alongar bem, correr 8kms, refrescar a cuca e ter duas ou três ideias incríveis, chegar, alongar e tomar banho. Ao retomar o trabalho, estou sempre realizado e muito mais disposto. Nos outros dias eu faço escalada: eu amo subir paredes, desde moleque. Kalina está se encontrando com treinamento funcional e pilates. Você também pode escolher à vontade: pular com parkour, bater com peteca, agarrar com judô, rodopiar com ballet, arremessar com handball, deslizar com curling - e talvez, a chave da constância esteja bem aí: fazer o que gosta.

Eu sou fã de uns velhinhos que não cansam de repetir suas histórias positivas de vida e acredito que eles tem a resposta para a pergunta do começo desse texto. Carlos Gracie, um brasileiro criador de uma dinastia, mantinha uma árdua rotina de treinos de Jiu-Jitsu em sua casa, onde ensinou todo uma geração de campeões dos Gracies. Dorian Paskowitz, um americano defensor e praticante de uma estilo de vida livre de amarras mas regrado em exercícios, surfa e anda, muito, todos os dias e, passou isso a todos os seus nove filhos, viajando pelo mundo num motor home. Reinhold Messner, italiano e provavelmente o maior montanhista de todos os tempos, treinou sem parar todos os dias para se tornar o primeiro a alcançar o cume de todas as catorze montanhas acima dos 8.000 metros de altura no mundo. Você deve estar se perguntando o que você tem a ver com esses caras. Sim, estes expoentes escolherem um estilo de vida, diferente do seu, mas tem um fator crucial em todas as suas histórias: eles encontraram uma exercício que são apaixonados. Eles acreditavam que a prática do seu exercício é um momento de reflexão e energização própria, e passaram dos seus 90 anos de idade (alguns ainda na ativa) para contar a história. A boa notícia é que você não precisa subir uma montanha por dia para alcançar o seu equilíbrio – basta descobrir o que faz teu coração bater mais forte.

Pode parecer clichê, mas é melhor relembrar que deixar que a sua vida se torne, justamente, um clichê: não pratique natação porque seu médico manda, ou faça crossfit porque é o exercício da moda. Movimente-se fazendo o que ama, todos os dias, pois assim terá mais disposição para alcançar seus objetivos.

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Carlos Gracie, voando

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Dorian Paskowitz e sua prole

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Reinhold Messner em seu habitat natural

ilustrações por kaju.ink
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