Muita gente me pergunta o porquê de eu pegar tanto “lixo” nas caçambas alheias. Pois bem, ao invés de argumentar um ideal óbvio de reciclagem / sustentabilidade / impactonomundo, vou começar a mostrar os resultados para que vejam com os próprios olhos o porquê, o pra quê e, para quem decidir se aventurar pelo mesmo caminho: o como.

Desde que era um gurizinho, junto sucatas sob minha cama para construir outros objetos. Pote de requeijão, carretel de linha de nylon, caixa de sapato e por aí vai – quem nunca? Bastava um rolo de papel toalha terminado conectado a um carretel de costura pontudo, dois pedaços de papelão para as asas e um pouco de durex pra fazer um avião a jato pau a pau com os da força aerea americana. Acontece que por algum desvio irreparável em minha educação, eu não parei de fazê-lo: cursei desenho industrial e dentro de uma oficina, dei asas mais parrudas à minha imaginação para a execução de inúmeros projetos. Agora, o projeto é o nosso apê.

Não tem jeito, para ter boas ideias, você precisa mergulhar de cabeça em qualquer que seja o projeto – é assim com tudo na vida. Logo que decidimos mudar juntos, deu um estalo na minha cabeça e lá estava eu juntando material para construir móveis e outras utilidades para nosso futuro apartamento - só que agora já não cabiam de baixo de minha cama.

Logo neste começo, encontrei um carretel daqueles de fios de energia em uma caçamba próxima a uma construção e não pensei duas vezes: joguei tudo pra dentro do vermelinho pau-pra-toda-obra e levei pra casa. Kalina ainda estava na Europa e o nosso apê ainda era um sonho distante – e eu não tinha ideia do que aquilo viraria, mas tinha certeza que para algo serviria. Alguém se identifica com esse sentimento? Costuma preceder até casamentos.

Kalina voltou, o apê virou realidade e, depois de tratarmos a madeira, o carretel se transformou, por enquanto, num ótimo aparador de cozinha. Ele está sendo essencial para dar um ar de lar para nosso cantinho. Veja aí todo o processo.