Desde quando a gente é gente que a gente começou a criar coisas. Pensando bem, provavelmente a gente só virou gente quando a gente criou a primeira coisa. Cena nenhuma ilustra esta passagem melhor que “A aurora do Homem”, nos primeiros 15 minutos do filme de Stanley Kubrick de 1968, “2001: Uma Odisséia no Espaço”. Seja você da turma do creacionismo ou do grupo do evolucionismo, atirou a primeira pedra quem ligou os primeiros neurônios, quem fez uma cagada que deu certo, quem cruzou a fronteira do desconhecido, quem teve a primeira ideia – tanto faz se foi comer uma maçã ou acertar o companheiro com um pedaço de pau. Estes foram os verdadeiros pioneiros. De lá pra cá, somos todos falsificadores confessos de um conceito que é tão velho quanto a primeira avó da sua árvore genealógica: criar algo para alcançar um objetivo. Se preferir, pra amenizar, somos inspirados - dia após dia, de lugar em lugar, ideias sobre ideias. Kalina e eu não somos diferentes: a gente pira na inspiração que o nosso entorno oferece.

O olhar analítico percebe um emaranhado de descobertas em todos os momentos. O espaço sideral é todo composto por uma matéria densa, mas invisível; nosso planeta não passa de um caldeirão com os dias contados. Tecnicamente o pôr-do-sol é uma ilusão; é a lua a maior responsável pela mudança de marés. Santos Dumont construiu 14 infláveis antes de criar um avião com asas; Thomas Edison construiu mil lâmpadas antes do projeto funcionar. A Apple começou com alguns amigos conectando circuitos simples na garagem dos pais de Jobs; o império Walt Disney World só engatou após Walt falir duas empresas e criar um simples sketch de um ratinho. Nietzsche dizia que quanto mais do alto, mais nossos problemas mundanos se tornam insignificantes. Vamos por isso em prática, esquecer o nhê nhê nhê do dia a dia e descobrir as maravilhas que acontecem por aí.