Um manhã normal por aqui o Marcos saiu para sua corrida pelo bairro. Ao voltar e entrar na porta:

  • Você não sabe o que o Fernando acabou de me contar! (Fernando é um dos seguranças do prédio)
  • O que?
  • Voou o vidro de um apê!

A conversa se desenvolveu e, antes de chegar a uma conclusão, lembramos de uma história que o zelador nos contou, antes da mudança, durante uma visita rápida ao apê. Ele nos aconselhou a tomar cuidado se optássemos por colocar algum filme na janela do quarto/closet. Outro apartamentos, ao transformar o espaço em um segundo banheiro, colocaram filme para a privacidade. A empresa responsável, ao instalar os filmes, passa um estilete nas bordas para tirar o excesso. As janelas do MaxHaus são diferentes: ao invés de fazer parte do caixilho, o vidro é fixado por fora com silicone, por motivos estéticos. As empresas de filme, neste corte de excesso estavam cortando o silicone, deixando o vidro solto. Qualquer vento que batesse, ou até mesmo no momento do corte, o vidro estava voando. Sim, alguns vidros voaram até perceberem que isto não era aconselhável. Mas desta vez, este não foi o motivo, e vidros estavam voando novamente!

A história passou, até que um dia o Marcos e eu queríamos sair pelo térreo para um passeio e o Anderson, outro segurança estava em frente à porta de vidro dizendo que tínhamos que sair pelo subsolo.

  • O térreo está interditado! Mais um vidro voou!

Algumas semanas depois, continuávamos, nós e todos os pedestres, entrando e saindo pelo subsolo. Até que o Marcos, em mais uma de suas saídas, descobriu novamente pelo Fernando (em segredo) que um terceiro vidro tinha voado e caído no térreo quase na cabeça de uma senhora, que já havia escapado do segundo vidro que voou. (dica: senhora, por favor fique em casa!) A vida continuou assim por alguns dias. Térreo e piscina interditados. Pedestres entrando e saindo insatisfeitos pela rampa da garagem. Ao sair um dia de carro cruzamos com um caminhão chegando com estruturas metálicas e chapas de madeira, funcionários e engenheiros. Alguns dias depois uma grande estrutura coberta havia sido construída no térreo, conectando as saídas dos edifícios com a portaria. O percurso rodeado de redes para ninguém ultrapassar o limite coberto. Ao chegar de uma reunião, perguntei para o segurança da vez:

  • O que acontece por aqui?
  • Estão construindo uma estrutura para proteger os pedestres do sol - com um sorriso de sarcasmo, logo depois acrescentou quase como um sussurro – ou vidros voadores.

Esta situação perdurou durante mais algumas semanas. Ao voltar outro dia notamos uma rede que estava sendo colocada em uma das fachadas do prédio. Novamente a vez na portaria era do Fernando.

  • Bom dia Fernando. E agora o que está acontecendo?
  • Estão colocando redes nos prédios, em todas as fachadas…para proteger os moradores.

Enquanto isso, descobrimos que os vidros voadores estavam surgindo principalmente das fachadas Norte. Com o calor que fez há alguns meses atrás, o silicone, que segura os vidros, expandiu e contraiu ao esfriar, e as rajadas de vento que temos por aqui levaram eles para o chão. Falha grave de projeto a favor da estética. A solução que está sendo implementada nada mais é que uma bela gambiarra enquanto o condomínio está entrando com uma ação judicial. Por tempo indeterminado, os moradores do MaxHaus PB vão ver o sol nascer quadriculado.