Desde crianças fomos incentivados a viajarmos sozinhos, ou em grupo, para conhecer novas culturas e vivenciar novas experiências. O Marcos aos 15 anos morou na Nova Zelândia por um ano. Eu fiz minha primeira viagem sozinha aos 10, para passar pouco mais de um mês na Suiça com a minha avó e ir à escola. Nossas famílias nos ensinaram os valores destas experiências e nós os abraçamos com vontade. Desde que nos conhecemos compartilhamos este sonho de constante de desbravar o mundo. A cada dia adicionamos um item na lista de lugares que queremos conhecer. Parte das nossas rendas e economias acabam indo para estes destinos. Sempre gostamos de dizer: “ É para isso que trabalhamos! “

São tantas paisagens, cidades, amigos e familiares para visitar. Mas uma coisa é certa, não somos do tipo de pessoa que gosta de visitar apenas os grandes centros urbanos e conhecidos, aqueles pontos de encontro, quase clichês, de todos que saem de seus países. Isto faz parte da viagem, mas evitamos até onde podemos. Gostamos do desconhecido, dos costumes locais, dos lugares que a sociedade frequenta, sem a presença de muitos de fora. Excursões e pacotes fechados de viagens, definitivamente não fazem parte dos nossos roteiros.

Percebemos que os destinos variam muito com a fase da vida que estamos. Há alguns anos atrás o legal era fazer as famosas “voltas pela europa”. Um mochilão nas costas, quartos em albergues com mais 10, 5 cidades em 10 dias, comidas baratas, para talvez ainda poder arrematar um novo look antes de voltar para casa. Este pique passou, e a necessidade de valorizar um pouco mais o bem estar falam mais alto. Os momentos que vivemos acabam trazendo viagens quase que de forma natural. Amigos com ideias e ideais similares, encontros para comemorações, eventos que não queremos perder.

Quando paramos para pensar, os últimos destinos e os que mais nos inspiram no momento são aquele que, de alguma forma, adicionam ao nosso estado físico e mental. Lugares que instigam as nossas criações e o nosso estado físico. Centros urbanos tem esta força, mas estamos tendendo ainda mais para lugares remotos de natureza que chega a espantar. São nestes lugares que de alguma forma nos conectamos com o nosso interior, com o silêncio, com os nossos pensamentos e projetos. Ao invés de percorrer muitas cidades em poucas noites, a intenção agora é conhecer tão bem o lugar que estamos, que talvez chegue a ser uma imersão.
Depois de escolher o destino partimos para a estadia e alimentação, que talvez antes não estavam no topo da lista. Não precisa ser um hotel de muitas estrelas, nem roteiros que tenham resorts (muito pelo contrário), mas sim um local para chegar no final do dia, com um bom chuveiro e cama, para nós apenas, e não dividir com estranhos que não respeitam a regra do falar baixo, ou arrumar a mala às 3 da manhã com todos os plásticos disponíveis no planeta terra. Um pouco de conforto, é o mínimo. Uma boa alimentação é um ponto tão importante como o chuveiro e a cama. Para conseguir aproveitar ao máximo as nossas estadias, temos que nos alimentar bem. Uma comida barata e ruim pode facilmente estragar alguns dias de viagem. Ao invés de ver lindos pontos, o lugar mais visitado será o quarto e banheiro. Gostamos de conhecer os sabores locais, e com isso buscamos referências de onde comer bem por preços honestos. Nada como saborear os temperos locais de forma agradável e sem preocupações.

O que ver nos lugares? Isso importa realmente? Ao ter esta mente aberta para “sentir o lugar”, não fazemos grandes roteiros dia a dia. Gostamos de viver os momentos, de sentir o que o corpo e mente pedem no dia. Se é dormir até um pouco mais tarde, ou acordar as 4 horas da manhã para ver o nascer do sol de um mirante extravagante. Visitar um, dois ou três bairros, ou apenas caminhar pelo quarteirão da estadia. Estas coisas não são tão importantes, quando a verdadeira intensão é desconectar do cotidiano, e reconectar com o nosso interior e exterior momentâneo.

Já parou para pensar como você planeja as suas viagens? Precisamos realmente ter tudo anotado e definido antes mesmo de sair de casa? Temos espaço para um pouco de espontaneidade? E por quê caminhar pelas ruas principais? Como já escreveu J.R.R. Tolkien: “not all those who wander are lost!” (nem todos que vagueiam estão perdidos.)