Eu sou uma pessoa lenta, desorganizada e perfeccionista - uma combinação trágica. Ao mesmo tempo, tenho ambições que vão além do tangível ao senso comum: tipo mudar a forma como vivemos e nos relacionamos nesse planeta. Ah, tá fácil. Se não consigo nem realizar todas as tarefas cotidianas, profissionais e sociais – algumas aparentemente inúteis como lavar a roupa ou ir ao banco - que almejo durante um dia, como posso estabelecer um ritmo de produtividade acelerado para alcançar objetivos utópicos?

Não posso.

Você aí, que tem os sonhos do tamanho do mundo, assim como nós, e fica frustrado todas as noites por não ter realizado tudo que havia planejado para o dia, para a semana e para o mês - você também não pode.

Este nível de produtividade que tentamos alcançar não existe - é fácil entender o porquê. Desde que espécie humana ligou os neurônios e compreendeu que 1 + 1 = 2, e que se continuarmos somando 1, teremos sempre uma quantidade maior, entramos num ciclo evolutivo regido por apenas uma máxima: Mais - nós queremos sempre mais. Esta ideia pode até, de certa forma, funcionar para a evolução da espécie, mas torna-se um meio destrutivo para um indíviduo realizar suas atividades.

Logo, quando você acaba aquela tarefa chata às 17hrs de uma sexta-feira e percebe que ainda tem um tempinho de sobra, você quer realizar mais – quem sabe você não consegue adiantar o trabalho da segunda-feira ou preparar alguma atividade que tinha planejado só para o final de semana. E o que acontece? Você começa e não termina. Seu tempinho extra se esvai, sua sensação de trabalho cumprido também: olá amiga frustração. Você vai dormir com tarefas na cabeça, seus sonhos são pra lá de malucos, normalmente envolvendo aqueles afazeres inacabados, seu sono é prejudicado e sua manhã, já começa errada.

Diante da frustração, normalmente recorremos a livros, artigos e mentores. Podemos citar inúmeras receitas de sucesso: acordar cedo; fazer exercícios; permitir-se pausas; dormir 8 horas; trabalhar em um ambiente propício; dividir o trabalho em turnos e em categorias -yada yada yada. Embora válidas, estas dicas não fazem milagres e depois de uma semana, você já se embananou todo.

Nem tudo está perdido, amigo, você ainda pode conquistar o mundo.

Kalina e eu estamos tentando, desde que nos mudamos, encontrar juntos uma constância produtiva e saudável no dia a dia. Nós trabalhamos em casa e temos a tendência de querer realizar um pouco demais, todos os dias, inclusive nos finais de semana e também nas férias. Nós temos grandes planos e às vezes nos perdemos na execução dos mesmos, justamente por nos furtarmos daquelas pausas de abstração – as mesmos que nos deram as grandes ideias num primeiro momento. Grande cagada. E que bom, estamos percebendo isso a tempo.

Cada um tem o seu tempo, ritmo e níveis de energia durante o dia. Alguns gostam de trabalhar de manhã cedo, outros de madrugada. Para alguns, a parte criativa demanda mais energia, para outros, as questões técnicas são as mais complicadas. Se há alguma diretriz a ser seguida, talvez seja a de conhecer a si mesmo e realizar suas atividades conforme sua predisposição física e mental. Quando tiver um bom parâmetro do funcionamento da sua máquina interna, pare, avalie e planeje. Neste ponto, não adianta nada saber e pedir demais. Seu dia tem 24 horas, como de todo mundo. Estamos entendendo que para realizar muito a longo prazo, precisamos almejar pouco, a curto prazo.

A ideia parece simples. Conhecer a si mesmo, traçar planos e metas plausíveis, ser constante, achar suas motivações, compreender e alcançar os objetivos no tempo estipulado e ser feliz. Nesta balada, num belo dia, nossos sonhos hão de se tornar realidade. Como estamos no meio de um processo de aprendizado, este é o primeiro texto de uma série dedicada a produtividade. Vamos por a tese à prova e, em breve, traremos mais experiências para compartilhar sobre o assunto.