Recentemente realizei uma pesquisa de mercado, com amigos e familiares, para um projeto que estávamos pensando em investir na AEROGAMI, minha empresa de softwares e serviços. A intenção do bate-papo era descobrir a metodologia de trabalho de cada indivíduo, que tinham diferentes especialidades profissionais. Um dos resultados mais recorrentes foi que as pessoas costumam criar listas de tarefas ao início de cada dia e/ou semana, riscar as finalizadas durante o decorrer do dia, e passar as incompletas para o dia/semana seguintes. E quase todos confessaram: “sobra sempre mais de um item incompleto”. Não há nada de errado em supra-planejar sua lista de tarefas. Na verdade, esse é um dos fatores que nos incentivam a levantar da cama no dia seguinte, e realizar ainda mais do que ontem. Contudo, precisamos avaliar as implicações desta metodologia em nosso estilo de vida, para encontrarmos maneiras saudáveis e sustentáveis de alcançarmos nossas metas.

A sensação do dever quase cumprido é um dos maiores aditivos a nossa vontade de nos superarmos dia após dia. Talvez, o costume de almejar mais do que podemos realizar seja um método aprendido pela sociedade, que busca a super produção. Certo dia, Sarah Lewis, escritora, historiadora e crítica de arte, que recentemente deu uma TED Talk arrasadora, notou algo curioso em um renomado artista que estava estudando: nem todas as suas obras eram obras-primas. Claro, não é sempre que conseguimos dar o nosso melhor: às vezes estamos com sono, às vezes com fome, em outras brigamos com o namorado/a. Mas talvez, Sarah explica, seja exatamente o quase-sucesso, um dos maiores motivadores para o nosso almejado sucesso. Neste caso, talvez as obras medíocres do artista tenham sido o incentivo que faltava, para ele criar suas obras-primas logo em seguida.

Contudo, nós seres humanos, somos esponjas e queremos absorver sempre mais. Se você alcança uma meta, logo está matutando outra - mais difícil - pra alcançar. Se você comprou um popular, logo logo vai querer um esportivo. Se você foi promovido a coordenador, o diretor que se cuide. Se você come geléia de damasco pela manhã, todos os dias, você vai querer de morango, antes do final da semana. Se você casou-se só com uma mulher, bom, não vai demorar muito pra você começar a olhar pro lado. Quem diz que não, está mentindo. Esta é a nossa natureza, e o instinto de adquirir, conquistar, alcançar, superar, inovar, pulsa por nossas veias em ritmo frenético.

A busca constante pela superação de limites é o que move a engrenagem da evolução desde o tempo das cavernas. Contudo, esta corrida maluca tem consequências diretas em nosso estilo de vida e em nossa saúde física e mental. Se você lista 10 tarefas num dado dia e, por mais que você trabalhe duro, só consiga realizar 8, no dia seguinte, trate de listar apenas 6 novas tarefas, mais as duas incompletas do dia anterior. Exigir além dos seus limites de energia alguns dias é bom para superar obstáculos, mas torna-se uma prática destrutível quando se torna uma metodologia diária de trabalho. A sombra das tarefas incompletas são um peso desnecessário em suas noites de sono. Sonhar com a tela do computador não é muito relaxante, certo? Estresse, cansaço, doenças. Todos já conhecemos essa história, mas às vezes falhamos em perceber que o mesmo pode acontecer com a gente. É preciso portanto, traçar estratégias para alcançar suas metas, sem se perder pelo caminho.

Estabelecer metas plausíveis para o seu dia, por exemplo, pode ser uma boa maneira de começar e logo, aumentar a sua produtividade. Não há nada melhor que estabelecer uma lista puxada, mas possível, e no fim do dia, olhar para todas aqueles itens chatos realizados e os itens incríveis que você criou e pensar: “Foi um dia produtivo, dei o meu melhor e fiz tudo que havia planejado.” E depois, preparar um jantar gostoso e ir dormir satisfeito. Que tal começar amanhã?