Quando convidava meus amigos para almoçar, brincar ou, depois de mais velhos, estudar em casa, lá estava a mesa posta com alimentos mais do que saudáveis. Antes do prato quente, a salada fazia parte da rotina obrigatória. Depois de comer, a fruta era indispensável se quiséssemos um docinho de sobremesa, nunca com muito açúcar, feito pela minha mãe Marianne. Já era normal ouvir de meus amigos: “kaki, na sua casa, até a água tem fibras”. Nas lancheiras na escola, quando olhava em volta, sempre via sanduiches, pães e salgadinhos que muitas vezes não sabia nem identificar, pois na minha e das minhas irmãs, tínhamos sempre frutas frescas e uvas passas pretas, aquelas que vem na caixinha vermelha. Nas festinhas tínhamos em nossas mãos um copinho plástico com água ou suco, ao invés de refrigerante. Nos armários de casa tudo integral (ou a maioria); na geladeira nunca faltavam frutas, verduras, salada, queijos brancos, iogurte feito em casa e leite desnatados. A alimentação ensinada e mantida pelos meus pais era motivo de brincadeiras para muitos, e para outros de admiração, ao ver três filhas disciplinadas que sorriam ao ver um prato de verduras.

Não havia pessoa que conseguisse nos corromper. Sempre damos muita risada ao lembrar do nosso primo Marcelo, que um dia ficou responsável pela Sybil, minha irmã mais velha, e eu (a pequena Maja ainda não existia), durante uma tarde no clube dos ingleses em Santos. Sentamos à mesa, muito educadas, comemos o nosso prato completo de carboidratos, proteinas e hortaliças. Ao terminar o primo empolgado: “ E ai meninas, vamos tomar um sorvete?”. A nossa resposta, sem nem hesitar: “Não pode Marcelo, tem que comer uma fruta antes do doce.”

Os anos se passaram e as coisas….pioraram (na visão dos outros). Além da minha mãe e pai que continuavam com a alimentação saudável diária, nós criamos consciência do que estávamos fazendo e ficamos ainda mais exigentes. Momentos de radicalismo como a Maja ficar sem comer açúcar por dez meses. A Sybil, mesmo saindo de casa cedo, logo descobriu que a lactose não lhe fazia bem. O leite e seus derivados fazem parte da alimentação apenas em dias especiais. Hoje ela planta muitos de seus alimentos no quintal e está em uma fase de testes de comida “raw” (crua). Minha mãe também começou a cortar a lactose e hoje come apenas produtos de soja. Eu, o ano passado, descobri o motivo de minha constante busca por alimentos com fibras durante a infância; a intolerância ao glúten. Meu pai nesta história toda foi se adaptando muito bem e sem reclamar muito, apenas do macarrão integral e do ocasional espinafre, um trauma da juventude. Isto tudo, combinado a doses quase diárias de exercícios, podemos nos declarar bem saudáveis.

Todos temos hábitos diferentes de alimentação, sejam eles saudáveis ou nem tanto. Há quase quatro anos atrás, quando conheci o Marcos, ele já estava há algum tempo em sua fase mais saudável. Sua infância não foi tão “radical” como a minha, no quesito alimentação, apesar de sempre ter bons habitos em casa, não tinha um controle tão grande. Quando criança era um tanto quanto resistente a comidas, portanto acabava no nuggets, lasanha congelada (duas por vez - ai se minha mãe soubesse disso) e suco ades diariamente. Quando passou a comer mais, durante seu intercâmbio na Nova Zelândia, comia nove fatias de pão, com nutella, no café da manhã. Pode-se dizer que estava em sua fase de crescimento. Nesta época sofria de rinites agudas. Passou por diversos tratamentos homeopáticos, mas a única coisa que realmente ajudou na quase cura (salve alguns ataques des espirros ocasionais), foi a mudança drástica na rotina alimentar. Ainda mais drástica foi a mudança quando teve sua primeira gastrite, causada por café e stress, mais ou menos na mesma época em que eu descobri a minha intolerância. Hoje, podemos nos declarar chatos…não, chatos não é o termo, embora alguns amigos insistam nisso, somos apenas exigentes e cuidadosos quando falamos de hábitos. Levamos realmente a sério a questão das pequenas porções nas refeições principais, pratos balanceados de nutrientes e ph, e a repetição de pequenos lanches em intervalos de três horas ao longo do dia. Ele para diminuir e combater a acidez do estômago, e eu para manter o funcionamento do intestino, evitar as enxaquecas e claro mulheres, para manter o peso também.