Esta semana, além de mais algumas visitas e muito trabalho, decidimos tirar uma tarde para ir conhecer um lugar novo. Novo para nós, pois ele já existe há algum tempo. Ultimamente, desde que decidimos procurar por um lar, e o Marcos a mostrar seu amor por caçambas, amigos próximos e não tão próximos nos contaram sobre suas visitas ao Bazar Samburá, mais conhecido como Lar Escola São Francisco, ou somente Lar São Francisco. Um lugar onde pessoas doam móveis, objetos, livros, discos, roupas, utensílios e muito mais. O Lar organiza o grande espaço em espécies de departamentos; a sala dos sofás, dos utensílios de cozinha, das cadeiras de roda, dos móveis com cupim e aqueles sem, e por ai vai. Tudo é etiquetado com preços e detalhes como “com cupim”, “não centrifuga”, “quebrada” e outros adjetivos de importância. A renda gerada no Bazar, através da comercialização destas mercadorias doadas, é revertida ao Centro de Reabilitação do Lar Escola São Francisco, possibilitando o atendimento de pessoas de todas as idades com deficiência física e mobilidade reduzida. Segundo dados do Lar, 17 mil pessoas, de baixa renda, são atendidas mensalmente com diagnóstico de deficiências de origem ortopédica, neurológica, reumatológica ou geriátrica, temporária ou permanente.

Números a parte… Buscamos nossa amiga Julia, constante visitante do Lar, para nos acompanhar e direcionar pelos caminhos cortados nas ruas de São Paulo até chegarmos lá. Lá, o Lar, fica na Vila Mariana. Ela, formada em Design Industrial, agora é uma cliente frequente, pois compra, a preços super acessíveis, matérias primas para as suas criações inusitadas em móveis e objetos como bandejas e discos de vinil. Passamos algumas horas pelos corredores e salinhas cheias. Imagine um espaço onde você pode encontrar de tudo, mas tudo mesmo. Para aqueles mais sensíveis como nós, junto com tudo você sente a história das coisas que ali estão, energias e pessoas. Para aqueles não tão sensíveis, como a Julia, mesmo depois de algumas horas lá dentro você se sente exausto. Por isso, vá com curiosidade, paciência e um dia que esteja se sentindo bem. Não, não queremos assustar ninguém, mas o lugar carrega uma história. Constamos ser super interessante com alguns objetos que adquirimos por lá. Fomos com o objetivo de encontrar um antigo arquivo metálico (aquele com gavetinhas infinitas), e saímos com um cavalete, uma caixa de madeira onde guardaremos o nosso papel higiênico, a base de um abajur flexível e uma coleção de vinis, com 13 discos, dos maiores compositores da música clássica. Este último item por apenas R$ 13. O cavalete que vou usar para as minhas novas criações em tela por apenas R$ 40, um item que normalmente (sim eu já fui ver em lojas) custaria em torno de R$200. A maioria das coisas que encontramos por lá, ou poderíamos encontrar, que alguma vez em suas vidas úteis foram de grande valor, precisam de uma lixada, envernizada, pintada ou restaurada geral, mas no fim é isso que gostamos de fazer não é? E por quê não ajudar pessoas que precisam ao fazer isto? Vale a visita para os criativos como a Julia, a Marcia e nós.