E de repente, ao levantar cedo em uma manhã ensolarada, nos demos conta que estamos morando no apê já há mais de três meses. Ao olhar para o lado nos demos conta também que nossos criados-mudos ainda eram caixas de papelão. As horas passam, os dias passam e parece que ainda estamos de mudança. E, se deixar, esta sensação permanece até a hora de renovar (ou não) o contrato de aluguel, 30 meses depois. Montar uma casa parece não ter fim. Sempre tem algo para fazer, e se não para fazer, para arrumar, fazer a manutenção e substituir. Um ciclo constante. Por isso, em meio às nossas agendas lotadas, decidimos tirar um dia da semana passada para cuidar do apê. Tirar da lista infinita aqueles primeiros itens de “to do”. A única regra: se concentrar para fazer o máximo possível em pouco tempo, não ligar os computadores, não ler e-mails e nem escrever no blog (desculpa por isso).

A quinta-feira começou cedo com cheiro de verniz e tinta no apê. Os intervalos entre secagens de móveis e porta, quase colorida, tornavam-se tempo para eliminar caixas de papelão e tentar deixar uma bagunça organizada. Difícil esta tarefa de eliminar a palavra bagunça. Mesmo investindo o dinheiro ganho no trabalho árduo de todos os dias, em coisinhas para a casa e recolhendo objetos de caçambas que se transformaram em móveis, o apê ainda está vazio. E muito mais do que vazio, o que temos não tem lugar para ser guardado. O dia foi produtivo, mas passou ainda mais depressa do que todos os outros e quando nos demos conta o céu já estava escuro e era hora de parar.

O dia na agenda destinado ao apê se estendeu e, quando nos demos conta, nos afastamos do trabalho parte do dia seguinte também. E no próximo novamente. E hoje, cinco dias depois, ainda estamos mexendo em coisas que começamos naquele dia. Os móveis de caixa de feira ainda precisam de rodinhas, a porta um verniz - para então pendurar o gancho para as toalhas – o móvel do banheiro precisa de um complemento para guardar melhor os produtos do dia a dia, a vitrola que tava guardada desde o começo do ano agora precisa de um lugar, pois voltou a funcionar com as novas peças trazidas pelo pai do Marcos do exterior; o banquinho, a caixa e a base do abajur continuam recebendo demãos de tinta. A ideia de tirar um dia para se dedicar aos itens do apê, se transformou em uma semana. A lista ganhou novos itens e o apê…. continua uma bagunça… quase organizada. Qual o problema nisso? Nenhum. Cada dia é um sorriso. Cada dia uma conquista. Nada melhor do que olhar um para o outro e dizer, sorrindo: “Enfim temos luz na sala de jantar!”