Fui jogar bola com uns amigos essa semana e, na volta, o Rodrigo me perguntou:

  • E aí, você se mudou, o apê tá mudando e ficando bacana, mas e o seu relacionamento com a Kalina, mudou?

A pergunta me pegou desprevinido, como ele bem pode confirmar. Fiquei um tempo a pensar…

  • Não.

Afirmei com certeza momentânea, após segundos de uma enxurrada de lembranças das útlimas semanas.

Já faz quase 1 mês. Vinte e tantos dias que saímos do ninho de conforto da casa de nossos pais para nos aventurarmos no desconhecido, encontrar nosso caminho e construir um lar. Cá estamos e, agora, escrevo-lhes da nossa nova mesa de trabalho, que ainda não está pronta mas já dá pra usar. Falta colar alguns acabamentos, assim como o resto do apê, mas, sentado aqui, vejo os detalhes do nosso cantinho em construção, a nossa cidade ao fundo pelas janelas, Kalina trabalhando ao meu lado desenhando mais alguma de suas incríveis ilustrações e bufando também por algum motivo desconhecido – nada de anormal, mas linda, como sempre.

  • Só melhorou.

Dei uma resposta espontânea que, pela cara de curioso do cara que vestia uma camisa suada do Boca Juniors ao meu lado, carecia explicação.

As últimas semanas foram intensas. Kalina e eu tentando nos equlibrar entre mudança de área e de ares, entre projetos e trabalho, entre mini-open-houses para os amigos e para os familiares, entre furar e limpar, entre comprar e cozinhar, entre amor e sexo – tudo junto e misturado. Uma delícia e, por isso mesmo, creio, nosso relacionamento ficou mais forte e só melhorou. Brigas, é claro: coisas bobas, convivência, manias (schatzie, olha essa esponja encharcada!), esquecimentos (schatz, você deixou a panela no fogo! ), mas de um modo geral, estamos dando um jeito e fazendo quase tudo de mãos dadas. Mercado, cozinha, mesa, sala, quarto, piscina, chuveiro, cama: tudo juntos mas, nem tudo – o que nos leva ao início deste post.

Não importa o quão bem um casal se dá, não interessa se combinam e descombinam na mais perfeita harmonia: todos precisam de um tempo para si – nós não somos diferentes e valorizamos muito o tempo só, ou com os próprios amigos. Ontem eu fui jogar futebol com Rodrigo, Mohamad (meu sócio) e mais um bando de marmanjo e Kalina foi jantar com os pais. Outro dia decidi ficar em casa trabalhando enquanto ela foi visitar nossos vizinhos e amigos (longa história, para outro dia). Em um outro, eu fui correr e ela nadar. Pensando bem, essa separação também é uma forma de nos equilibrarmos, certo?

Muita coisa mudou, claro, mas o relacionamento - concluo com um sorriso de criança com sorvete, só melhorou.