Eu tenho uma saúde frágil.

Logo nas minhas primeiras semanas de vida, comecei a tomar uma série de remédios. Antibióticos, anti-inflamatórios, anti-tudo. Foram pneumonias e rinites incontáveis até a minha adolescência. Eu virei um expert em pegar, processar e vencer resfriados, dores de garganta, de ouvido e de cotovelo. O pediatra virou um dos meus melhores amigos. Não, não sou nada hipocondríaco e sou otimista demais, segundo todos à minha volta. Tentei solucionar com tudo: Alopatia, Homeopatia, Simpatia - nada adiantou. Mais adiante condenei meu sistema imunológico fraquinho. Sempre pratiquei muito esporte, sempre comi muito. E doença atrás de doença. Nada sério, mas daquelas chatas e persistentes. Até que aos 15 anos de idade, fui morar na Nova Zelândia. Deixei todos os remédios para trás, e por lá, o único vírus que peguei foi o da adrenalina. Nada. Como? Momento, euforia, vai saber. Voltei e tudo voltou. Culpei o Co2 exagerado da minha cidade berço. Fui virando adultinho e fiquei conhecido pelo assoar de nariz de trombone, trem, buzina. A vida tava passando e aquela mucosa exarcebada estava atrapalhando a minha conexão social - parei, pensei, xinguei.

Esse ano completaram 5 anos sem nem um resfriadinho, zinho.

Nós, jovens, presumimos que a nossa saúde é regenerativa: que hoje podemos nos acabar na balada louca como se não houvesse o amanhã e, amanhã, já estaremos novos de novo. Alguns até se gabam de como a privação de sono não lhes afeta os níveis de energia; como o vosso fígado é robusto e aguenta quantos shots lhes oferecerem; como passar o dia à base de coca-cola e batata frita não lhes atingem o estômago. Vocês, amigos, estão vivendo a vida com o copo meio cheio. A energia que você acha que tem de sobra, poderia ser duplicada e até triplicada. Nosso corpo é capaz de se curar a curto prazo, mas não a longo prazo. As agressões que desferimos agora, contra o instrumento mais poderoso que temos, são superadas, mas não esquecidas. Eu, por um mero golpe de sorte, percebi isso tudo ainda moleque.

Para mim, faltava consciência corporal.

Eu sonhava com o ar puro e os dias bem aproveitados lá na Oceania, mas minhas raízes estavam aqui, e eu tinha que fazer algo a respeito. Cortei todos e quaisquer tipos de remédios. Como teste, cortei o refrigerante e minha performance na natação aumentou drasticamente. Oras, aí tem coisa. Mais tarde comi meio pacote de Pringles e vomitei tudo em seguida. Puta que o pariu pisa no freio Zé. Frituras, industrializados, exageros… aos poucos, fui aprendendo a escutar o meu corpo, e cortar fora o que não me fazia bem, e adicionar todos os alimentos naturais que pudessem me oferecer os nutrientes que eu tanto precisava para aumentar minha imunidade. Ainda assim, vira e mexe a rinite atacava.

As mudanças mais significativas em meus hábitos vieram depois que tive uma gastrite pesada e claro, depois que conheci e me influenciei pelos hábitos alimentares naturebas da Kalina. Nós, seres quase pensantes, por vezes demoramos a aprender e nos comportamos como ratinhos pegando queijo da ratoeira. Até que o corpo jogue a toalha. Fui fazer alguns exames(que eu nunca fazia, pois minha saúde ia muito bem obrigado, hehe) e, diante do resultado deplorável que se encontrava meu estômago, percebi o quão desatento eu ainda era em relação a horários, quantidades e equilíbrio na alimentação, e como isso de fato afetava a minha saúde.

Equilíbrio é tudo.

Após uma visita a nutricionista, comecei a me interessar, ler e pesquisar mais. Aprendi sobre os grupos de alimentos e seus benefícios, como combiná-los ou não, e sobre as mais variadas linhas de alimentação. Eu não cortei a lactose, a carne ou o glúten. Pelo contrário. Hoje sei combinar as proteínas, carboidratos, hortaliças, leguminosas, gorduras e frutas em todas as refeições do dia. De 3 em 3 horas e alinhadas com exercício físico e descanso.

Desde então, minha saúde parecia inquebrantável.

Semana passada tudo virou do avesso. Eu estava há 30 dias sem fazer esportes, porque havia machucado o dedo. Estava trabalhando um pouco além do que deveria, dormindo um pouco a menos, o inverno estava chegando e, para completar, Kalina e eu tivemos uma intoxicação alimentar. Esta, provavelmente proveniente de produtos químicos de uma salada pronta do Pão de Açúcar, que compramos acreditando ser o produto mais saudável do mercado durante um dia fora de casa. Foi como um acidente de avião que precisa de vários fatores errados para acontecer. Tudo culminou numa noite horrenda combatendo a intoxicação, seguida de um dia de resfriado, e uma semana de resquícios da avalanche.

Agora serão 10 anos.

Já estou contando os dias de boa forma novamente e seguindo uma rotina sustentável e construtiva. Esse episódio serviu, contudo, para lembrar o quão frágil é minha saúde se eu não cuidar dela diariamente. E na verdade, essa é uma lição que serve para todos. Quando você aprende a escutar o seu corpo e a respeitar seus limites e deficiências, você tem a chance de construir em si, uma saúde de ferro.